terça-feira, 6 de agosto de 2013

EMPÓRIO DA LOUCURA..


                                            

O mundo pós-pós-pós-moderno é mesmo pródigo em situações e lugares bisonhos e inusitados. Há novidades fantasmagóricas.

A tendência agora é a criação de lugares com nomes antigos de modo a conquistar pelo impacto que o “ estranho” geralmente causa.

Surgem os “ Empórios” e “ Armazéns” de tudo quanto é coisa e tipo.

Tem Armazéns da roupa, da comida chinesa, vegetariana, da cachaça, do tabaco, da cultura, da música, da tecnologia, do sexo, etc. etc.

Tem os “ Empórios” da pizza, dos vinhos, queijos e até de artigos para pescaria.

Pois um Francês de nome Fredèric G. Lassalle inventou o inusitado “Empório da loucura”. A ideia é ter um lugar distante de psicólogos, psiquiatras e psicanalistas  onde a “ loucura” pode ser manifestada em sua plenitude e sem blá, blá, blás.

Lá todos podem bancar o Salvador Dalí. Vale rolar, xingar políticos, esmurrar bonecos, pintar verdadeiras porcarias defendendo ser uma obra-prima, embriagar-se, escutar música em volume ensurdecedor. etc. Vale até achar que o Joaquim Barbosa é a salvação para o Brasil..

Também é permitida a poligamia. Mas, esse já é outro assunto que é melhor nem comentar.

Ele afirma que isso tem eficácia maior que a maioria dos tratamentos químicos e terapias psicológicas. E, com a vantagem de ser muito mais barato e não enriquecer a já bilionária indústria farmacêutica.

Os “empórios da loucura” seriam lugares para dar “rédeas soltas” ou cancha larga para aquilo que a civilização, a moral e os bons costumes não permitem e que fica reprimido nos homens tidos por “ normais”.

Essa seria uma forma de aliviar a carga de estresse e dos fatores estressores diários, afastando ou minorando os surtos psicóticos que sem qualquer justificativa são noticiados diariamente no mundo: ex-maridos matando ex-mulheres, estudantes matando colegas de aula, mulher matando a amante do marido, mortes inexplicáveis em brigas de trânsito e demais manifestações de extrema violência em pessoas que tinham um histórico de conduta morigerada, ou seja: pessoas calmas e de relações até então harmoniosas.

No frontispício de tal lugar figura uma imagem do ELOGIO DA LOUCURA, famosa obra de Erasmo de Roterdã.

E grafado no mármore está a intrigante inscrição: TÃO IMPRUDENTE É POSSUIR UMA PRUDÊNCIA PERNICIOSA, QUÃO LOUCO TER UMA SABEDORIA DESLOCADA.

Quorsum haec tan putida tendunt?

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

ENTENDENDO A MEDITAÇÃO...

 
 
Entenda como aproveitar a Meditação para se conhecer melhor
Hoje em dia há um esforço constante para alcançar coisas que nos parecem distantes ou que aparentam não fazer parte de nossa realidade. Qualquer movimento de busca que fazemos para algo que não está dentro de nós poderá ser infrutífero. A água segue sua própria natureza, sem conflito com a realidade da superfície que ela percorre. As pedras suportam frio, chuva e sol quente por séculos - e nada perturba sua natureza. Os animais vivem suas vidas satisfazendo seus instintos, sem lamentações descabidas. Por que os seres humanos carregam tanto conflito em sua curta existência? Não faz sentido.
Na verdade, carregamos conflitos por não entendermos nossa própria realidade, por vivermos uma realidade artificial e efêmera. O conflito não existe, mas permitimos que ele se aloje em nossa consciência e assim passe a existir e a sobrepujar tudo que brilha como realidade.
A busca por paz, por exemplo, nos afasta da verdadeira paz que reside dentro de nós. E o mesmo ocorre com a Meditação. O dimensionamento que é dado à consciência pode abarcar ou anular sua própria natureza. Por agirmos sem consciência da ação e dos fatores que desencadearão resultados, perdemos a dinâmica de nossa natureza; perdemos o sublime que há na vida e passamos a refletir apenas o que a mente projeta. Passamos a acreditar nas nuvens, tempestades e sombras que afogam o essencial da vida.
Meditar não é impedir ou disfarçar a existência de tais barreiras, mas tornar-se consciente delas e compreendê-las como parte do que somos. Estar consciente é o passo mais importante que deve ser dado ao iniciarmos esse caminho. Meditação não é um jogo mental simbólico onde criamos paisagens ou sentimentos, mas sim a consciência plena da realidade de nossa existência.
APROXIME-SE DA MEDITAÇÃO
A existência não se limita aos apelos do corpo e dos sentidos, não se limita ao transitório estado mental que molda os sentimentos e as emoções. A existência envolve os detalhes do que somos e do que estamos sendo - um longo percurso que nos mostra a evolução gradual pela qual estamos passando. A cada dia nos aproximamos mais do que sempre esteve perto, dentro de nosso ser, mas que não dávamos conta de sua presença. Meditação é voltar a consciência para este fato, para esta realidade que se descortina e se revela. E isso é possível quando estamos conscientes do que compõe nossa existência completa.
 A mente sente, pensa e deseja indiscriminadamente. A consciência observa e se transforma no processo de autoconhecimento: Meditação. Ficar parado por alguns minutos apenas observando a respiração e os batimentos cardíacos pode não dizer muita coisa para a mente, mas pode revelar dimensões desconhecidas da consciência.
A mente irá vagar em busca de sentido para o que ela capta, mas a consciência será apenas presença observadora de algo que sempre esteve ali, diante de sua simplicidade existencial, e que não foi possível ser notada pela complexa atividade instável da mente. A existência se revela no silêncio observador da consciência.
A mente se identifica e se envolve com o que surge em seu horizonte sensitivo - e cai presa da realidade que ela mesma moldou. A consciência se mantém indiferente ao que não é dela, em um estado de neutralidade observadora. A mente quer interagir; a consciência está apenas para ser e existir. Nada pode afetar a consciência, mas a mente se afeta por tudo que está ao seu redor e que fere sua fragilidade instável.
As invenções mentais não são permanentes. A Meditação ocorre além destas designações que estacionam a mente. A Meditação se efetua no campo da consciência. A mente pensa, mas a Meditação está além do pensamento, está no alcance infinito da consciência - a Meditação não é um fenômeno mental: é um processo da consciência.
A mente é um aglomerado de conceitos que molda a maneira de ver e interagir com o mundo, dentro de uma realidade que ela conceituou como verdade. A consciência é a essência que existe antes e depois dos conceitos - tanto reais quanto falsos. A mente é imagética e cáustica; a consciência é silêncio, amplitude. A imagem verbal limita a capacidade de perceber e existir, ao passo que a existência inclui os conceitos, mas está além deles. A existência é a consciência observadora que se apresenta consciente em todos os campos da realidade sensível.
A MENTE APRENDE COM A CONSCIÊNCIA
A mente não tem inteligência, ela apenas atua mecanicamente, moldada pelos padrões condicionados que imprimimos nela e, assim, repete os mesmos modelos, por muito tempo. A mudança somente ocorre quando se toma consciência de que não estamos agindo como deveríamos, como é o correto. Mas, quem define o certo e o errado? Há algum modelo que podemos usar sabendo que é diferente de um modelo que não devemos ter? De certa forma, a Meditação nos dá o modelo correto, à medida que o silêncio interior se intensifica a ponto de termos consciência clara e transparente do que nos faz bem e do que nos traz o mal. É a experiência da vida que poderá mostrar isto. É a Meditação que dará consciência do valioso que há na vida - aquilo que devemos cultivar e intensificar pelo simples fato de sabermos por realização que é bom para nós mesmos e para os outros.
Por isto, a Meditação não é uma restrição, um corte, uma renúncia pura e simples. Meditação é soma, acréscimo e descobrimento interior. Meditação é tomar consciência do que somos realmente. É tomar consciência do que não somos também."Meditação é soma, acréscimo e descobrimento interior. Meditação é tomar consciência do que somos realmente. É tomar consciência do que não somos também."
Um despojamento do que é irrisório, do que é efêmero e supérfluo, do que há de real e verdadeiro em nossas vidas. Meditação é se autodescobrir a cada instante, a cada dia, a cada mudança. Meditação é estar presente e entregue a todos os movimentos que ocorrem internamente e a todos os impulsos que damos para fora de nós, para o mundo e para a realidade que acreditamos - por isto nos lançamos. Meditar é acreditar na possibilidade de transformação a partir do singular que habita cada subjetividade, de cada ser.
SEJA CADA VEZ MAIS O QUE VOCÊ É
A Meditação não está separada do que somos - ela é o que somos. É ser consciente do que se é. Meditação é um movimento reflexivo do que somos, do que estamos deixando de ser e do que viremos a ser, consciente. Muitas vezes a Meditação não é uma técnica, mas a essência da técnica que desabilita qualquer necessidade de técnica: não temos que aprender a viver - todo ser vivo simplesmente vive. Alguns com mais habilidade, outros com menos intuição. Mas todos sabem viver dentro da realidade que lhes cabe. Não há técnica para se viver, não há mistério ou segredos para ser o que se é - simplesmente deve-se ser e viver. Assim é a Meditação: não é rotina, mas constante estado de presença, sem repetição. Uma pessoa que olha todos os dias o despontar do sol na alvorada e não nota a diferença que existe em cada amanhecer, na verdade nunca viu verdadeiramente o nascer do sol. Alguém que não note a variedade complexa que envolve cada movimento da respiração, não está pronto para viver - está atado aos padrões da mente repetitiva. A Meditação é uma quebra destes paradigmas.
 Por isto, a Meditação é um processo que nos revela a liberdade inerente. Enquanto a mente repete os padrões para nos prender, a consciência nos dá as lacunas onde a mente falha, pois não pode preencher todos os espaços - tudo é preenchido pela consciência. A mente não prenche, apenas repete; e repete até mesmo a sensação de uma suposta liberdade, mas é a repetição de um estado vivido de liberdade, não é a verdadeira liberdade, é a sombra de uma experiência de liberdade vivida no passado ou prometida para um futuro. Consciência meditativa é liberdade agora, presente e eterna. Se não for isto, não é Meditação. Pode ser qualquer outra coisa, algum outro nível de experiência psicológica, mas não Meditação.
Meditação é a entrega plena ao momento que se vive, que existe em sua plenitude.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

RELAÇÕES MAIS QUE LÍQUIDAS


 

 

Hoje não podemos senão fazer troça. A zombaria é a literatura das sociedades que expiram, dizia um grande pensador que no momento não recordo o nome.

Os relacionamentos hoje em dia estão ( claro que existem exceções) em sua esmagadora maioria mais que líquidos. A teoria de Zygmunt Bauman está ultrapassada e nem deu tempo de entende-la em sua plenitude e profundidade.

O mundo virtual permitiu uma distância e audácia com segurança que cria verdadeiros avatares que são justamente os “ Eus” que em tempos anteriores não tinham a coragem de  se manifestar e encontravam-se reprimidos.

Os casados tem suas “ peguetis” para levar, mesmo em horário de trabalho, aos vários Motéis que existem pela região. Suas mulheres,  fingindo não desconfiar dão um jeito de sair com uns “rapazes” para equilibrar a situação.

É como se existissem dois mundos. O real onde tudo é maravilhoso e quase igual a um conto de fadas. E, o virtual que também acaba sendo real e ( se descoberto) acaba sendo a mais pura negação da fantasia gestada e simulada no mundo real.

O João é romântico e jura amor eterno para a amada Patrícia. Manda lindas flores em qualquer ocasião ou data minimamente mais " importante".

Todavia, no mundo virtual ele marca encontros secretos e extremamente  discretos com a Daniela, Luciana e Fabiane. Nesses casos, dispensa as flores.

A sua amada Patrícia, que não tem nada de santa, também já estabeleceu relações com o Paulo, o Luis e o Juvenal.

As relações viraram uma espécie de “JOGO DE ENGANAÇÃO”.

Quem julga ser o enganador e esperto é certamente o mais enganado.

E assim vão levando esse faz de conta até que um motivo banal “ esgote” o relacionamento que não passava de um grande teatro de representações.

Nem Freud explica.

Nesse contexto, soa patético ver alguém gabando o seu amor como sendo “o melhor de todos”, o “ mais sincero e puro” e que se considera o “ mais feliz do mundo” quando na verdade esconde vários segredos e uma fatal infidelidade em curto ou médio espaço de tempo.

De qualquer forma, não é algo para desanimar.

O jeito é continuar fingindo sinceridade e aproveitar a relação enquanto ela durar. Afinal de contas: dizia o poeta que ela deve ser infinita enquanto dura.

Também é preciso respeitar aos que vivem na ilusão do romantismo outrora dito por existente e que, segundo alguns, ainda está em pleno vigor.

São eles que carregam a esperança.

Esperança de que as coisas não piorem ainda mais.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

VICE TRECO DO SUB TROÇO

 
O homem, por mais ignorante que seja ( mesmo que seja um Luis Fernando Arbo) não pode se furtar de assuntos relevantes e imprescindíveis para tentar situar e entender o ser humano diante do seu destino, sua vida, universo, neurociência, física quântica..etc.. etc.
Vai então que resolvi reproduzir algo sobre o assunto, bancando aqui o PAPAGAIO DE PIRATA, por ter dificuldades de escrever algo sobre o assunto ou ( mais próximo da realidade) por ter o nobre amigo escrito um texto que reputei dos mais interessantes.
Vamos a ele!
O que é o Homem?
Quem é você?
Quem és tu?
Vocês, certamente, já ouviram alguém expressar a seguinte frase:
"Você sabe com quem você está falando?"
...
Pois bem, vejam esse raciocínio que ouvi do filósofo Mário Sérgio Cortella.

O Universo surgiu, segundo estimativas, há 15 bilhões de anos. De uma singularidade, um ponto extremamente denso de energia e matéria, houve uma grande explosão: BIG BANG!
Essa energia e matéria foram se condensando e formando as galáxias. Cerca de 200 bilhões de galáxias temos no universo. Hoje, com o conhecimento da física quântica, não podemos mais falar apenas em (uni)verso, mas sim em Multiversos. Universos paralelos!
Na periferia do nosso universo existe a via láctea com cerda de 100 a 400 bilhões de estrelas e dentro dessas estrelas está uma estrela anã: O sol.

O sol é uma "estrelinha" dentro de outras 100 bilhões de estrelas que compõe uma única galáxia que está dentro de 200 bilhões de outras galáxias que compõe um único universo que um dia vai desaparecer.

Em torno do sol há massas planetárias que giram em órbitas e uma dessas massas é a TERRA. Dentro do planeta Terra temos o que os cientistas denominam de VIDA. há cerca de 3 milhões de espécies catalogadas e dentro dessas espécies está o Homo sapiens sapiens. Hoje somos cerca de 7 bilhões de Homo sapiens sapiens que vivem no planeta Terra.

Quem é o Homem?

O Homem é um ser dentro de outros 7 bilhões de seres que compõe um única espécie que está dentro de outras 3 milhões de espécies catalogadas que vivem em um planetinha que gira em torno de uma estrelinha que faz parte de outras 100 bilhões de estrelas compondo uma única galáxia dentro de outras 200 bilhões de galáxias que formam um único Universo que um dia vai desaparecer.

Quem é o Homem?
Quem é você?
Quem és tu?

Mário Sérgio Cortella afirma:

"Você é o vice treco do sub troço".

Da próxima vez que alguém cercar você e lhe perguntar: Você saber com quem você está falando?

Eu respondo:
Você está com tempo para uma breve explicação!! rsrsrsrs

 Autor: Milton Moura

terça-feira, 16 de julho de 2013

A BATALHA DOS IDIOTAS..

                                                                                              
 Diante da multiplicidade de informações que o mundo virtual coloca a disposição de todos, surgem situações inusitadas onde são travadas verdadeiras batalhas para saber quem realmente tem “razão” ou diz uma “ verdade” que convença o maior número de pessoas.
Uns citam poemas bonitos de poetas famosos, livros de grandes escritores, argumentos de grandes pensadores, pesquisas, jornais, depoimentos e outras salamandras do gênero.
Também existem aqueles que se dedicam a ensinar ( cotidianamente) uma forma diferente de ser feliz. “Segundo consta, existem basicamente duas grandes categorias de felicidade: a “falsa felicidade” e a “ verdadeira e duradoura felicidade”. Mas, isso é assunto para outra oportunidade.
O problema é que com o passar do tempo ninguém quer mais ser ensinado de nada. Quase todo mundo quer ensinar e bancar o mestre: de onde surgem os melhores pensamentos, os mais elaborados raciocínios para a panaceia de todos os males: sociais, políticos, psíquicos, espirituais e até astronômicos.
E a arrogância passa a ser o comportamento mais adotado. Tanto e a tal ponto que todos se consideram sábios (salvos raras exceções) e quando alguém discorda da sua “ visão” ou “hermenêutica de mundo” terminam qualquer diálogo com o velho chavão de que “NUNCA SE DEVE DISCUTIR COM UM IDIOTA”.
Pois, dentro desse contexto travou-se verdadeira batalha de Gigantes. O JUCA ALVES debateu em público com o PEDRO LORPA: ríspida e enfaticamente.
E lançaram mão de todos os recursos da INTERNET. Um citava Paulo Freire, Norberto Bobbio, Nietzche, Kant, Shopenhauer e arrematava com Luc Ferry.
E se digladiaram falando sobre Política, Educação e Religião.
Entraram também na batalha os argumentos de Platão,  Aristóteles e até Santo Agostinho.
Não faltaram os Clássicos Gregos com os vetustos Agamémnon, Sófocles, Eurípedes, Aristófanes sobrando até para a velha apologia de Sócrates.
Um deles, mudando o rumo semântico e geográfico, citou de Buda, Amit Goswami até Deepak Chopra. E pra completar e arrematar terminou com um floreio bonito invocando a velha e surrada fábula da Águia e a Galinha do também velho Leonardo Boff.
Nenhum conseguiu convencer o outro. Pelo contrário. Os ânimos se acirraram a tal ponto que um chamou o outro de idiota e foi chamado de “ o mais puro idiota”: dando a ideia de que existe um “idiota misturado” e um “idiota puro’.
E trocaram insultos de tal maneira, que um simples mortal (talvez ainda mais arrogante e convencido) acabou por  denominar aquela discussão como sendo “ A BATALHA DOS IDIOTAS”.
E de forma direta e categórica afirmou: Ignoratis terminis artis, ignoratur et ars
Vai entender o mundo atual..
E segue o barco a vida no vasto rio da existência!
 

 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

PARANÓICO COISA NENHUMA!


                                     


Pois bem que desconfiei que algo não estava certo com o meu computador no que dizia respeito as mensagens, pesquisas e outras salamandras do gênero.

E o engraçado é que tudo começou após eu ter lido em um Jornal sobre o combate ao terrorismo no mundo e ter tido a curiosidade de saber onde afinal ficava o tal Afeganistão: local onde se concentravam as maiores incursões bélicas do exército Americano.

Dali pra frente, em razão do simples fato de querer saber onde ficava geograficamente tal País, o negócio virtual foi dando problemas, como que coagulando e revelando algo estranho demais.

Primeiro, veio uma mensagem bisonha afirmando haver outro IP do mesmíssimo número que o meu. Algo que julguei impossível, embora com uma margem de desconfiança.

Depois, a cada mensagem que eu enviava ficava marcada com uma pequena tarja que antes não existia. Terminei por mandar o computador para um técnico passar antivírus, pois julguei que só poderia se tratar de algum vírus, embora eu não tivesse acessado nenhuma site pornográfico ( pois dizem sempre que na maioria dos casos os vírus são dai provenientes).

Falei com uma estudante de psicologia e expliquei as minhas desconfianças e que estava sendo vigiado e ela após uma “observação Corujal” e com um ar de Alienista e ao bom estilo “ Simão Bacamarte” foi logo me classificando como propenso paranoico.

Uma reportagem da edição desta segunda-feira (08) do jornal O Globo afirmou com extrema seriedade que existem documentos secretos que revelam que o Brasil abrigou uma base de espionagem por satélite dos Estados Unidos. E que equipes de duas agências americanas de inteligência atuaram em conjunto no país para coletar dados.

Afirmou também, fazendo aqui uma síntese bem tosca, que existia uma conexão brasileira da REDE DE BISBILHOTAGEM INTERNACIONAL montada pelos americanos e revelada pelo ex-técnico da agência de segurança nacional americana, Edward Snowden, homem agora literalmente caçado pelo Governo Americano.

Então os ditos ianques podem mesmo ter observado meus e-mails e acompanhado tudo que eu fazia no “ mundo virtual” só pelo fato de eu ter tido a curiosidade de saber onde ficava o famigerado Afeganistão.

De pronto conclui que Guimarães Rosa tinha absoluta razão quando afirmou que “ viver era muito perigoso”.

Também me lembrei de Franz Kafka que em determinado conto falava que era impossível ser totalmente feliz e tranquilo com os “ MUITOS DIABOS” que estão por ai.

Por fim: o imortal e sempre atual  George Orwel em seu 1984 já vaticinava o futuro quando falava que apenas o Poder é Poder que, por sua vez, se mantém e perdura pela redução absoluta do humano.

E arrematava com profunda propriedade que estamos a viver num mundo onde ninguém é livre, no qual dificilmente alguém está seguro, sendo quase impossível ser honesto e permanecer vivo.

Não tenho é nada de paranoico!


sexta-feira, 5 de julho de 2013

QUÍMICA DA DEMOCRACIA..

 
Estamos diante de uma crise de representação política. A democracia moderna se caracteriza por ser representativa e não direta. Elegemos representantes e eles nos representam no Executivo e no Legislativo. Há muito tempo que este vínculo representativo no Brasil opera mal --vive-se a mesma coisa na Europa ocidental.
Julgo importante momentos como o que vivemos, não somente para chamar nossos representantes de volta a suas funções (eles trabalham para nós e pagamos os salários deles), como para refletir sobre os riscos deste mesmo colapso de representação e o desordenamento político-social que dele decorre a médio prazo: sem supermercados, sem escolas, sem estradas, sem chegar ao trabalho, sem lazer, sem policiamento.
A "química das massas" é volátil, incendiária e instável, e apesar de a imensa maioria ter uma intenção pacífica, a interrupção contínua e crescente da ordem político-social, por definição, rompe esta mesma ordem trazendo à tona riscos.
Mas nem todos os clássicos em política concordam com esta visão de risco do desgaste da ordem político-social. Alguns entendem que devemos buscar este desgaste e leem este mesmo desgaste como oportunidade criativa. Esta "química das massas" pode ser interpretada de diferentes formas.
Hobbes, por exemplo, que não é bem visto pela política contemporânea por ser posto "no saco" dos autoritários, entende que quando a ordem político-social se interrompe, "nossa química", que tem uma vocação latente para a desordem, a contingência e, por tabela, a violência (o que comumente se traduz dizendo que para Hobbes o homem é mau e a sociedade faz ele ser menos mau), entrará em ebulição a qualquer momento e a representatividade tem que retornar a funcionar, se não, caímos no caos social.
Este é o chamado pessimismo hobbesiano, que tende a valorizar a ordem a tudo custo e defender o monopólio legítimo da violência na mão do Estado.
Posições como a de Hobbes têm um defeito claro que é reprimir excessivamente qualquer tentativa de renovação das formas de representação. Daí ele ser mais afeito a temperamentos temerosos com relação a crises políticas agudas.
Rousseau, por outro lado, entende este desgaste como necessário para o surgimento da criatividade em política (Marx não está muito longe disso), daí ele ser típico de temperamentos mais revolucionários em política. Neste sentido, a violência decorrente da interrupção da ordem político-social é entendida como espaço para momentos de democracia direta.
Alguns defendem esta posição falando de "violência criativa" ou mesmo "a política será feita nas ruas e não nas instituições" porque elas não mais representam os representados e seus anseios. Aqui esquerda radical e direita radical se encontram na condenação da representação (os partidos).
O defeito desta opção está no fato de a democracia direta ou "das ruas" tender facilmente (todo mundo sabe disso) à violência, linchamento e julgamentos populares sumários. Neste caso, enquanto hobbesianos tendem a temer a "química das massas", rousseaunianos parecem torcer para esta química fazer novas receitas de "bolo social".
O que pensa Tocqueville sobre esta mesma química da democracia?
Tocqueville pensava que esta mesma química deve ser "cuidada" via mecanismos de pesos e contrapesos institucionais que reúnem desde assembleias muito locais, passando pelas instâncias de razão pública (tribunais, universidades, escolas, mídia), chegando ao Legislativo e Executivo estadual e federal.
Pare ele, não podemos abrir mão deste processo institucional de mitigação da "química da democracia" sob risco de esmagar o indivíduo sob a bota da tirania da maioria, de uma liberdade destrutiva e de uma igualdade com vocação para mediocridade, que elimina a própria criatividade cotidiana.
Por exemplo, no seu "Democracia na América", ele já dizia que não pode haver reeleição de representantes na democracia, se não dá em corrupção. Podemos começar a reforma por aí. Voto em Tocqueville.
 
Texto do grande filósofo e professor Luiz Felipe Pondé.