quinta-feira, 27 de junho de 2013

QUE BAITA BOSTA!


                                                 

 Que baita bosta! Em meus devaneios dá uma vontade de inventar um protesto coletivo e com muita algazarra contra a morte.

Essa carnívora inevitável nunca mudou a sua forma de levar quem amamos. Sorrateira, inexorável, implacável.

Na maioria das vezes, principia seus objetivos com uma doença ( dos mais variados matizes) que transforma todo sofrimento e esperança em uma dor definitiva e dilacerante que temos que confortar com alguma crença religiosa ou ideia de um mundo no além ( outra vida, etc).

Em outras tantas, surge tragicamente e acompanhada de um sofrimento e uma dor ainda maior. Tanto e a tal ponto que chega a ofuscar e torna impossível toda forma de entendimento ou tentativa de explicação.

A tragédia na Boate Kiss é um exemplo que será eterno.

Que baita bosta!
 Bem que a gente poderia morrer de forma diferente. Bem que poderia morrer de forma diversa quem a gente tanto ama. Sumir de repente, ficar encantado como nos dizia Guimarães Rosa ou algo que não causasse um vazio tão despedaçador.

Mas, tal como os protestos quase nada se modificará em termos de mudar realmente a realidade que temos.
A morte é uma terrível e boa ( segundo alguns místicos) certeza.

Prosseguirá a crua e dura realidade.

E a morte, tal como a desigualdade e a exploração prosseguirá da mesma forma. Da mesma forma que os CALHEIROS, SARNEIS, COLLORS e MENSALEIROS continuarão a mandar no País.

E a ILUSÃO, a ESPERANÇA e a FÉ serão os únicos e inevitáveis ingredientes  que continuarão dando razões e  um mínimo de sentido para continuarmos vivos.

Mas, fica o inútil protesto!

Que baita bosta é a morte ( principalmente de quem tanto amamos) e as coisas que nunca se modificarão.

Vai com Deus meu grande amigo!!

 

terça-feira, 25 de junho de 2013

SONHO DESESPERADOR.



                                                

Acho que foi Carl Gustav Jung quem afirmou que os sonhos expressam aquilo que o inconsciente assimila de tudo que vivemos e experimentamos em nosso dia a dia, ao mesmo tempo em que se constitui numa espécie de reação a estas experiências.

Pois sobre os tais protestos e movimentos que ocorreram no Brasil inteiro tive um sonho desesperador: pesadelo.

O cenário era de uma verdadeira batalha de acusações recíprocas onde os pretensos candidatos se ofendiam, caluniavam e difamavam de tal forma que não restava um único honesto e completamente “limpo” e que fosse digno de um voto.

Ocorria uma espécie de “ briga de bugios” com um grupo jogando merda na cara do outro.

O LULA tinha um filho que era dono de várias propriedades no Brasil e tudo adquirido de forma estranha, inexplicável e amiúde duvidosa. Várias notícias ligavam tamanha façanha a vários esquemas de corrupção.

O PT era culpado pelo famigerado MENSALÃO que é considerado como o maior esquema de corrupção da República, sendo que tudo se constituía em argumentos para desacreditar e desaconselhar o voto na  DILMA.

Por outro lado, o AÉCIO NEVES ( PSDB) figurava na mesma classificação. Acusado de improbidade administrativa pelo desvio de milhões em seu Governo e por ser integrante do grupo de FHC que segundo registros patrocinou a maior dilapidação do patrimônio público da história, com as conhecidas privatizações bilionárias que só proporcionaram lucros para a iniciativa privada e os grandes capitalistas, sem falar dos inúmeros outros escândalos de desvios de dinheiro público.

Também não faltou em meu sonho o dito EDUARDO CAMPOS ( PSB) denominado de “ NOVO COLLOR”. De olhos azuis, bem vestido, moderninho e que surge exatamente em um momento de crise ( tal como o COLLOR) e que em seu discurso nitidamente prometia “ acabar com a corrupção” e “ consertar o Brasil” fazendo recordar os discursos do Fernando que morava na famosa “Casa da Dinda” e que igualmente prometia acabar com os Marajás.
Pra piorar, esse último também não era " TRIGO LIMPO", sendo que havia feito uma grande fortuna sem explicação convincente, existindo suspeitas de que também estava inserido em algum esquema de corrupção.

Seria um novo impostor se aproveitando do momento delicado em que vive o povo brasileiro e se anunciando como o “ SALVADOR DA PÁTRIA”??

Então, com uma angústia imensa em determinado momento de meu sonho ( pesadelo) entrei em profunda crise.

Dentre tantos supostos corruptos em quem votar? No menos corrupto?

Mas, será que existe uma escala de corrupção ou toda forma de corrupção deve ser intolerável e inaceitável?

“Será que o “Brasil melhor” que desejamos é votar no ” menos corrupto” e aceitar que a corrupção sempre ( de uma forma ou outra) existirá?

E torturado com esse tiroteio de indagações e constatações nas quais todos os pretensos candidatos chafurdavam-se no mesmo lamaçal: onde não mais existiam os “ PUROS” e “ SANTOS”... acabei acordando.

Então de pronto cheguei a conclusão que tudo desemboca na velha política de sempre: onde os mesmos de sempre se acusam com o único propósito de chegar ao Poder.

A destruição da imagem e dos feitos do outro acrescido da promessa de transformar o Brasil em um “ MUNDO ENCANTADO” constituem ingredientes indispensáveis para alcançar tais objetivos.

Depois da vitória?? Fazer tal como O LEOPARDO de G. Lampedusa, ou seja: “ tudo deve mudar para que fique exatamente como está”.

E segue o barco da vida no vasto rio da existência!




  


sexta-feira, 21 de junho de 2013

ARTESANATO DA DOR..



JAZIGO DE SI MESMA eis a casa velha da foto. É uma resistência ao progresso. Um sofrimento estático que fatalmente será sepultada e substituída por um prédio comercial, uma casa moderna, etc.
A dita casa resiste! É um deboche ao novo Ijuí. Em seu porão, muitos fantasmas perambulando errantes, contando seus dramas familiares, alegrias, comemorações e infortúnios vários. Quantos nela residiram? Por qual razão chegou a tal ponto de decomposição e decrepitude?
As casas, tal como acontece com os homens, também morrem. Os homens têm a vantagem da crença na imortalidade. Serve de consolo.
Tudo tem o seu auge e o seu declino, ocaso. Óbvio! Dói constatar isso no simbolismo de uma moradia. A casa tem numeração 885. Números quase apagados, tal como todo um significativo passado que se apaga com a hoje arruinada construção.
O luto se aproxima! Luto inevitável! Confesso que sequer preciso adentrar a dita tapera e já conheço o seu interior. Algo de uma vida passada? Talvez eu tenha morado ali, pois acredito na reencarnação de acordo com a doutrina espírita.
Tivesse algum poder  tombaria (no sentido jurídico de proteção, tornar indestrutível e preservada) a referida casa. Seria intocável e preservada. Seria uma parte de Ijuí não conspurcada pelo dito progresso. Um contraponto ao novo. Um pequeno universo plasmado a evidenciar que nem tudo segue o mesmo caminho e destino.
Mas, que nada! Grande ilusão! Vai preponderar uma nova paisagem. O capital tudo esmaga e corrompe e logo a tapera não mais existirá. Ficará apenas na memória dos que nela viveram, de quem a viu e nas fotografias existentes, tais como as que ficam nesse arquivo desse blog.
E tudo acaba virando arquivo. Até o Bill Gates! Tal casa é um pouco da melancolia que a finitude nos causa. Resistimos com a consciência de que breve estaremos tal como essa casa: velhos, decrépitos a caminho do inevitável. Viraremos mera recordação na memória de quem nos conheceu e amou ou permaneceremos em alguma fotografia em algum álbum embotado  pela  inegociável e irrevogável ação  do tempo.
E assim seguimos: fazendo artesanato da dor.
E parece que vejo e ouço o sinistro corvo da poesia de Edgar Allan Poe (com a sua irredutível ideia de irreversibilidade das coisas) sentenciando:
– NEVER MORE! NEVER MORE! NEVER MORE!
 
Escrito por LUIS FERNANDO ARBO.

terça-feira, 18 de junho de 2013

VERGONHEIRA DANADA..


                                                      

                                                 

Se em tais protestos a grande maioria é realmente pacífica, então deveriam controlar a minoria selvagem e baderneira que patrocina atos deploráveis de vandalismo e violência.

Não fazendo isso demonstram que não possuem CONTROLE ALGUM e organização alguma sobre os participantes e isso se torna imensamente PERIGOSO.

Demonstram que falharam na divulgação dos propósitos pacíficos de tais manifestações. Tanto é verdade que a denominada “MINORIA BADERNEIRA” em nenhum momento se identificou como sendo de “ OUTRO GRUPO”. Muito pelo contrário: se intitulam pertencentes ao grande grupo: tanto que caminham ou caminhavam sempre juntos.

Se realmente são integrantes ( tanto que caminhavam juntos) então comprometem a CREDIBILIDADE e a SINCERIDADE de todo o grupo.

E as inúmeras depredações de prédios públicos, bancos , automóveis, ônibus, prédios históricos e do patrimônio particular fica debitada na conta de todo o movimento, TISNANDO significativamente a ideia de “ BONS PROPÓSITOS”.

E todo o movimento resta ( de certa forma) responsabilizado ( mesmo que moralmente) exatamente pela IMPOTÊNCIA em controlar seus próprios integrantes.

E tudo vira uma grande ANARQUIA: sem controle e onde os próprios integrantes não se entendem em seus objetivos.

Os protestos e manifestações só terão CREDIBILIDADE e RESPEITO quando os que caminham juntos tenham propósitos iguais ( reivindicar direitos pacificamente e com educação).

Do jeito que está? Vergonheira danada..

 

 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

FILHO DA P...??


                                                                                                      

Alguém já disse que o ódio é o mais contundente dos pecados capitais, sendo o responsável por desarmonias que só resultaram em tragédias e na retroalimentação da violência cotidiana.

O frade agostiniano João Gregório considerava o ódio como uma arma do demônio.

E esse é o único ponto que tira a credibilidade dos movimentos e manifestações sociais que reivindicam seus direitos.

A depredação do patrimônio particular ou público é a manifestação do mais puro barbarismo e, por óbvio, de um ódio que só faz demonstrar a falta de educação e ignorância dos seus autores.

Chamar policiais de “ FDP” certamente não é a forma mais adequada de protestar contra os abusos cometidos, sendo apenas uma troca de erros que certamente engatilham sentimentos de vingança ou de mais violência.

Segundo alguns, o ódio é um sentimento natural e primitivo tal como é a sede e o próprio amor.

Todavia, esse GIGANTE RUBRO (IRA- ÓDIO) a que se refere muito bem  Mira Y López deve ser controlado sempre. E controlado até como uma forma e finalidade de desenvolvimento de uma CULTURA DE EDUCAÇÃO EMOCIONAL.

Calha também a lição de Joaci Góes em seu ANATOMIA DO ÓDIO quando afirma: “ se o ódio e, eventualmente, a agressão são inevitáveis , impõe-se o desenvolvimento de uma cultura que não permita seu construtivo e benéfico extravasamento , para a sociedade e para o próprio odiendo, visão que exclui ignorá-los ou suprimí-los, mas que haja a valorização e aprendizado de técnicas que nos habilitam a lidar com as situações geradoras de ódio, em qualquer ambiente, como na família e no trabalho, sem perder de vista o quanto importa saber de que pode ser feito para impedir ou reduzir a emergência de situações que causam frustrações e injustiças, fatores que geram ansiedade e ódio.

Em palavras mais simples, toscas e diretas: da mesma forma que a cidadania evoluiu a ponto de os cidadãos se organizarem e reivindicarem seus direitos com ênfase a ponto de serem escutados pelas autoridades constituídas, devem também evoluir e em um ato de civismo ( demonstrando que também cumprem as leis e por isso merecem total credibilidade e respeito) devem evitar manifestações agressivas, vandalismos e o uso de expressões que só fazem demonstrar que não evoluíram nada em termos de educação e respeito.

A cidadania deve andar junto com o civismo.

Quem exige seus direitos também deve cumprir suas obrigações.

Em Provérbios 15:1, Salomão o grande sábio afirma: “ A RESPOSTA BRANDA DESVIA O FUROR, MAS A PALAVRA DURA SUSCITA A IRA”

Tal escrito de mais de dois mil anos deveria obrigatoriamente constar nos cartazes de todas as manifestações sociais.

Precisamos evoluir nesse ponto.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

ISSO DE MATAR POR MULHER...

                                                                                                   

Esse negócio de o vivente se matar ou matar por mulher, principalmente nos tempos atuais, retrata ou uma patologia das mais graves ou uma idiotice sem iguala.

O mundo tem mulher “ pra dar com pau” . É tanta que dependendo do talento  do sujeito ele tem que refugar algumas, pois a poligamia sofre acentuado desprezo  em nossa sociedade.

Se a relação terminou, então é a liberdade que se apresenta sorridente. O jeito é um “desencanar” do outro e ser feliz com as inúmeras outras oportunidades que certamente surgirão.

Relações, principalmente as baseadas no sexo e “deleites da carne” ( inúmeras idas a Motéis, calcinhas sensuais, Kama Sutra e outras salamandras) geralmente se desgastam e esgotam em curto ou médio espaço de tempo.

O término se torna uma forma de ambos respirarem um pouco e viverem novas aventuras. Já não há mais nada a aproveitar da relação que restou murcha e esvaziada.

Nesses momentos de esgotamento da relação, o homem e a mulher deveriam dar graças a Deus que a prisão que prendia um ao outro foi revogada.

Só mesmo um homem fraco e sem o mínimo de talento para uma nova conquista fica eternamente vinculado a ex-namorada, companheira ou mulher.

E pior: denomina esse sentimento patológico de amor.

E quando não correspondido ou magoado minimamente, manifesta a sua ira e fúria em forma de extrema violência que geralmente termina em tragédia ( como ocorrem em tantos casos relatados pela mídia).

Sinceramente, complexo entender como um homem pode matar por ter “perdido uma mulher para outro”.


Se já aproveitou o que tinha pra aproveitar, antes deveria soltar foguetes e prosseguir a vida com o máximo de otimismo e alegria possíveis. Perder, nesse caso é libertar-se de algo que já se tornou monótono e sem mais nada para apresentar exceto a repetição: repetição das mesmas discordâncias, dissabores e energias que estão em rota de colisão.

Mulher nunca deve ser um problema. Mulher é sempre solução!

E elas estão por ai aos milhares: gostosas, lindas, maravilhosas.

 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

PORTEIRO DO PUTEIRO..

 
Não havia no povoado pior emprego do que 'porteiro da zona'. 
Mas que outra coisa poderia fazer aquele homem? 
O fato é que nunca tinha aprendido a ler nem escrever, não tinha nenhuma outra atividade ou ofício. 
Um dia, entrou como gerente do puteiro um jovem cheio de idéias, criativo e empreendedor, que decidiu modernizar o estabelecimento. 
Fez mudanças e chamou os funcionários para as novas instruções. 
Ao porteiro disse: 
- A partir de hoje, o senhor, além de ficar na portaria, vai preparar um relatório semanal onde registrará a quantidade de pessoas que entram e seus comentários e reclamações sobre os serviços. 
- Eu adoraria fazer isso, senhor, balbuciou - Mas eu não sei ler nem escrever. 
- Ah! Quanto eu sinto! Mas se é assim, já não poderá seguir trabalhando aqui. 
- Mas senhor, não pode me despedir, eu trabalhei nisto a minha vida  inteira, não sei fazer outra coisa.
- Olhe, eu compreendo, mas não posso fazer nada pelo senhor. Vamos dar-lhe uma boa indenização e espero que encontre algo que fazer. Eu sinto muito e que tenha sorte. 
Dito isso, deu meia volta e foi embora. O porteiro sentiu como se o mundo desmoronasse. Que fazer? 
Lembrou que no prostíbulo, quando quebrava alguma cadeira ou mesa, ele a arrumava, com cuidado e carinho. 
Pensou que esta poderia ser uma boa ocupação até conseguir um emprego. 
Mas só contava com alguns pregos enferrujados e um alicate mal conservado. 
Usaria o dinheiro da indenização para comprar uma caixa de ferramentas completa. 
Como o povoado não tinha casa de ferragens, deveria viajar dois dias em uma mula para ir ao povoado mais próximo para realizar a compra. E assim fez. 
No seu regresso, um vizinho bateu à sua porta: 
- Venho perguntar se você tem um martelo para me emprestar. 
- Sim, acabo de comprá-lo, mas eu preciso dele para trabalhar, já que...  
 - Bom, mas eu o devolverei amanhã bem cedo. 
 - Se é assim, está bem. 
Na manhã seguinte, como havia prometido, o vizinho bateu à porta e disse: 
- Olha, eu ainda preciso do martelo. Porque você não o vende para mim? 
- Não, eu preciso dele para trabalhar e além do mais, a casa de ferragens  mais próxima está a dois dias de viagem, de mula. 
- Façamos um trato - disse o vizinho. 
Eu pagarei os dias de ida e volta, mais o preço do martelo, já que você está sem trabalho no momento. Que lhe parece? 
Realmente, isto lhe daria trabalho por mais dois dias. Aceitou. 
Voltou a montar na sua mula e viajou. 
No seu regresso, outro vizinho o  esperava na porta de sua casa. 
- Olá, vizinho. Você vendeu um martelo a nosso amigo. 
Eu necessito de algumas ferramentas, estou disposto a pagar-lhe seus dias de viagem,  mais um pequeno lucro para que você as compre para mim, pois não disponho de tempo para viajar para fazer compras. 
Que lhe parece? 
O ex-porteiro abriu sua caixa de ferramentas e seu vizinho escolheu um alicate, uma chave de fenda, um martelo e uma talhadeira. Pagou e foi embora. E nosso amigo guardou as palavras que escutara: 'não disponho de tempo para viajar para fazer compras'. 
Se isto fosse certo, muita gente poderia necessitar que ele viajasse para trazer as ferramentas. 
Na viagem seguinte, arriscou um pouco mais de dinheiro, trazendo mais ferramentas do que as que já havia  vendido. 
De fato, poderia economizar algum tempo em viagens. 
A notícia começou a  se espalhar pelo povoado e muitos, querendo economizar a viagem, faziam  encomendas. 
Agora, como vendedor de ferramentas, uma vez por semana viajava e trazia o que precisavam seus clientes. 
Com o tempo, alugou um galpão para estocar as ferramentas e alguns meses depois,  comprou uma vitrine e um balcão e transformou o galpão na primeira  loja de ferragens do povoado. Todos estavam contentes e compravam dele. 
Já não viajava, os fabricantes lhe enviavam os pedidos. Ele era um bom cliente. Com o tempo, as pessoas dos povoados vizinhos preferiam comprar na sua loja de ferragens, a ter de gastar dias em viagens. 
Um dia ele lembrou de um amigo seu que era torneiro e ferreiro e pensou que este poderia fabricar as cabeças dos martelos. 
E logo, por que não, as chaves de fendas, os alicates, as talhadeiras, etc ... 
E após foram os pregos e os parafusos... 
Em poucos anos, ele se transformou, com seu trabalho, em um rico e próspero fabricante de ferramentas. 
Um dia decidiu doar uma escola ao povoado. 
Nela, além de ler e escrever,  as crianças aprenderiam algum ofício. 
No dia da inauguração da escola, o prefeito lhe entregou as chaves da cidade, o abraçou e disse:
- É com grande orgulho e gratidão que lhe pedimos que nos conceda a honra de colocar a sua assinatura na primeira página do livro de atas desta nova escola. 
- A honra seria minha, disse o homem. Seria a coisa que mais me daria prazer, assinar o livro, mas eu não sei ler nem escrever, sou  analfabeto. 
- O Senhor? disse incrédulo o prefeito. O senhor construiu um  império industrial sem saber ler nem escrever? Estou abismado.  Eu pergunto: 
- O que teria sido do senhor se soubesse ler e escrever? 
- Isso eu posso responder, disse o homem com toda a calma: - Se eu soubesse ler e escrever... ainda seria o 
PORTEIRO DO PUTEIRO
Essa história é verídica, e refere-se a um grande industrial chamado... Valentin Tramontina,
fundador das Indústrias Tramontina, que hoje tem 10 fábricas, 5.500 empregados, produz 24 milhões de unidades variadas por mês e exporta com marca própria para mais de 120 países – é a única empresa genuinamente brasileira nessa condição. A cidadezinha citada é Carlos Barbosa, e fica no interior do Rio Grande do Sul.
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