terça-feira, 22 de janeiro de 2013

FEITA A JUSTIÇA....

 


O prefeito Fioravante Ballin e o vice-prefeito Ubirajara Teixeira foram absolvidos pelo Tribunal Regional Eleitoral do RS da acusação de que teriam realizados gastos com publicidade institucional maiores que a média dos últimos três anos.
Os desembargadores do TRE-RS absolveram Ballin e Bira por unanimidade de votos na sessão realizada nesta terça-feira, 22, em Porto Alegre.
Com a absolvição, Ballin e Bira não terão seus diplomas e registros cassados. Os desembargadores também votaram contra a multa de R$ 35 mil, pedido pelo juiz Nasser.
A representação foi realizada pela Coligação União por Ijuí, através do Ministério Público. A decisão do TRE-RS cabe recurso.

Evidente que houve uma ação com carga excessiva de invenção e artificialismos. Fizeram uma ação forjada, sem mostrar na integralidade os verdadeiros dados e gastos com a dita propaganda, algo que tem muito de deslealdade judicial.
Houve um grave equívoco de interpretação da parte dos proponentes (oposição) que não souberam fazer a melhor leitura da legislação e da aplicação ao caso que pretendiam aplicar.
O pedido de cassação não passou de mais uma tentativa de ganhar no denominado TAPETÃO, ou seja: ignorando a DEMOCRACIA e a decisão dada pela maioria do povo.
Prova disso é que NÃO HOUVE um voto sequer pela condenação. A OPOSIÇÃO argumentou algo que não tinha qualquer correspondência na realidade dos fatos. 
A interpretação da oposição na referida ação: com pedido de CASSAÇÃO foi extremamente DÉBIL e INSUSTENTÁVEL.
Os EMINENTES DESEMBARGADORES do TRE, com a envergadura da experiência e de posse de uma interpretação mais larga e detida (minuciosa) dos fatos, absolveram por UNANIMIDADE e ainda retiraram a MULTA aplicada em primeiro grau, algo que também consideraram INJUSTA.
Episódio semelhante ocorreu no pleito anterior, onde fizeram uma medonha tragédia e ESCÂNDALO sobre um fato que restou de forma UNÂNIME julgado improcedente, com a absolvição dos mesmos candidatos.
 Os que fizeram uma verdadeira procissão pedindo a CONDENAÇÃO de BALLIN E BIRA tiveram que AMARGAR uma dupla derrota: no plano político ( democratico) e no plano jurídico ( Tribunal).
No meu entender, devem "ENSACAR A VIOLA" e desistir do recurso ao TSE.
Não tem cabimento um RECURSO onde TODOS votaram pela ABSOLVIÇÃO, sendo que não foram capazes de conseguir sequer um voto pela condenação.
Ao menos será um ato de nobreza.
 
      

DIREITO DE NÃO SABER..



Dentre a gama de direitos do ser humano, certamente está inserido o direito de " não saber". E da " ignorância" não deveria resultar qualquer forma de discriminação.
Perguntaram certa feita em " que mundo eu vivia" por simplesmente desconhecer da existência de  uns tais Racionais Mc e Planet Hemp ( Hampe.. algo assim).
Minha sobrinha me chamou de Eremita por não ter assistido um "famoso vídeo" de um Sul Coreano que fala "opa ga mais tá" e que ele ganhou milhões com isso.
Eu ficava pensando tal como fazia o Chaves ( daquele famoso programa).. mas? Que culpa tenho eu???
Passei a ser olhado com certa desconfiança. Velho demais para o mundo jovem em que vivemos.
Outra amiga ( agora talvez em outra classificação) chamou-me literalmente de "pouco culto" por não ter argumentos para conversar, em uma roda de amigos, sobre um livro que se não me falha a memória era "50 tons não sei de qual cor". Que era o debate " grandioso" do momento.
O mais vergonhoso é que passei a vida inteira sem ter lido uma única crônica do David Coimbra. Por ter alguma "neurose bloqueadora" achava que o dito ( pelas ilustrações que usava) iria fazer alguma gabolice banal das suas conquistas amorosas. Acabava sempre virando a página sem sequer começar a ler.
O fato é que o "mundo contemporâneo" é múltiplo em conhecimentos, ideias, teorias, teses e outras salamandras do gênero.
O homem tem o direito de não saber.  E mais: o direito de continuar não sabendo sem ser discriminado por isso.
Como dizia o grande Baltazar Gracián: ocupar-se com o descabido ( isso na subjetividade de cada um) é pior que não fazer nada. 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

LIBERDADE, MAL-ESTAR ..



Acerca da liberdade originária, Eric Fromm faz menção ao MITO DA HISTÓRIA HUMANA, na qual o homem e a mulher viviam no paraíso, em harmonia perfeita entre eles e com a natureza.
Não havia escolhas a serem feitas.
Por esse motivo, não havia necessidade de cogitar-se da liberdade.
O homem, ao violar a proibição de comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, rompe com o estado harmônico com a natureza.
Embora do ponto de vista religioso essa conduta seja considerada pecado, do ponto de vista humano , marca o início da liberdade e o nascimento da razão.
Ao romper com a natureza, o homem vê-se nu e sente vergonha. Está só , livre, porém temeroso e impotente.
Embora livre do " doce cativeiro do paraíso", não é livre para governar-se, para realizar sua individualidade.
Expulso do paraíso o homem torna-se mortal e adquire consciência reflexiva e de sua finitude.
A desobediência à interdição ao fruto proibido simboliza o processo de individualização.
Consciente de sua finitude , o homem tem sua existência dotada de insegurança constante e sensação de desamparo ante ao destino, demonstrando a instabilidade constante na existência humana, como conclui Gilberto Safra , para quem o próprio caminhar " é o desequilibrar-se continuamente".
O ser humano é afetado em cada passo de sua existência.( Marion Minerbo e Oswaldo H. Marques).
Nesse compasso, inserindo-se ai algo bem mais complexo ( logicamente) entra o magnífico texto de Freud  no sentido de apontar a CIVILIZAÇÃO apenas aquilo que diferencia o homem da vida animal.
Na dita "civilização" existe uma OPRESSÃO individual a favor de uma suposta UNIDADE COMUNAL.
A cultura ao não agregar valores individuais se torna supérflua e superficial , pois a invés de manter os homens em cooperatividade harmoniosa , força laços que levam ao mal-estar do indivíduo.
 Vinícios de Azevedo Silva questiona: " se a FELICIDADE é o que todos procuram, por que é tão difícil para o homem ser realmente feliz??
Por que apesar de todo o desenvolvimento tecnológico , há tanto sofrimento e mal-estar na sociedade?
Será que um certo grau de sofrimento e violência é inerente ( natural e incurável) no ser humano??
Vale a pena ler o texto do grande mestre!!!!

PEDRO LORPA É MESMO GENIAL...



O Pedro é mesmo “bagual de Bueno”. Ele quer “mudar o mundo” e ninguém o dissuade desse objetivo. E ele não quer saber de onde virá o dinheiro. O fato é que é possível mudar o mundo sim.
No SETOR DE SEGURANÇA: ele fez até um projeto com cálculos, desenhos e estratégias mirabolantes para transformar a vida dos cidadãos em uma “paz absoluta”.
O segredo, segundo ele é colocar um representante da Brigada Militar em cada esquina. Isso será um fator que certamente intimidará os meliantes ou delinqüentes. E mais: só para a área de Ijui teríamos que ter três ( 3) helicópteros sobrevoando a cidade e cuidando cada atitude suspeita.
Câmeras de vídeo espalhadas em mais de 2 mil pontos estratégicos. Fazer da cidade uma espécie de BIG BROTHER onde tudo estará sendo monitorado e acompanhado pelas forças policiais.
No SETOR DA SAÚDE: agendamentos via internet 5G ( algo ultra rápido) com a designação de uma equipe urgente para atender os casos mais graves e a compra imediata de 15 unidades iguais ao SAMU.
E pasmem: atendimento pelo Médico também pela internet (on line). Os pacientes acessariam um site da Secretaria de Saúde e ao vivo pela Web o médico daria os aconselhamentos, prescrições e indicações de remédios.
Nas ESTRADAS DO INTERIOR a solução seria asfaltá-las integralmente. Nada de barro, nada de pó ou qualquer dificuldade para o agricultor escoar a sua safra ou produção.
No setor CULTURAL: ele quer tornar Ijui uma cidade COSMOPOLITA com renome internacional, sendo que quer reunir todas as culturas do mundo e todas as manifestações artísticas aqui na cidade. Tem até intenção de pedir autorização ao MUSEU DO LOUVRE para emprestar a famosa obra de Leonardo da Vinci, a tal MONA LISA .
Para o PEDRO LORPA tudo é questão de "VONTADE POLÍTICA"
Se um dia ele chegar ao PODER, transformará Ijui no Paraíso citado na Bíblia..
Virei partidário do Pedro Lorpa e passei a defender sua causa..
Para terminar uma observação: CASSANDRA toma sim chimarrão e é uma  BAITA MENTIROSA em negar isso.
Netuno é testemunha!!!





sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

UM MATE COM CASSANDRA..

 Andei tomando um chimarrão com a tal Cassandra. Se ela negar isso é uma graúda mentirosa. O grande NETUNO é testemunha.
Ela até que é gente boa, apenas está defendendo os seus interesses em prol de um “ mundo melhor”. Compartilhamos das mesmas intenções.
A cassandra tem doutorado em sarcasmo e quer fazer esse tipo de crônica, sendo que até confessou que gostava muito de alguns artigos meus. Fiquei honrado!
A ideia de "duelo" era justamente para atrair e permitir essa aproximação com Cassandra.  Afinal de contas, ela vivia em uma toca e dá um pouco de raiva de quem se esconde ou usa de artifícios para dizer algo sem mostrar a cara.
Agora que sei quem é Cassandra e a sua nobre profissão. Nos tornamos amigos (embora continuemos protocolarmente em trincheiras opostas) não há razão para não deixar fluir aquilo que de mais verdadeiro existe na Democracia: a liberdade de opinião e manifestação do pensamento.
Entendi as razões de a Cassandra continuar com o PSEUDÔNIMO e não assumir sua identidade. Isso é lá um problema dela !!
Ela tem o partido dela e por ter perdido ficou sem o cargo que desejava. Algo natural na política: uns perdem e outros ganham.
Só ela não me convenceu que está criticando e querendo um mundo melhor só por questões de solidariedade e espírito altruísta e nada mais. Não acreditei nisso!
Da minha parte, estou disposto a conviver harmonicamente com Cassandra e a “ ameaça de duelo” ao menos permitiu a nossa aproximação e um diálogo amistoso e legal.
O resto é figuração e troca de figurinhas banais.
Uns continuam dizendo que eu criei a Cassandra para dominar o número de acessos dos Blogs de Ijui e que tive a ajuda do amigo e professor José Fiorin.
A idéia seria criar supostamente dois lados opostos para atrair pessoas e seguidores de todos os lados, pois toda unanimidade, como dizia Nelson Rodrigues: É BURRA.
Não é verdade !! E por tal motivo queria que Cassandra revelasse a identidade para poder provar isso de uma vez por todas... 
A Cassandra é outra pessoa de fino trato e tem ideologias e pensamentos que diferem dos meus em muitos posicionamentos e situações de interpretação dos fatos sociais, humanos e políticos.
Um grande abraço para a Cassandra..

GRANDE DIVALDO...



Reconhecido como um dos mais conceituados médiuns e oradores espíritas da atualidade, Divaldo é também o maior divulgador da Doutrina Espírita em todo o mundo.

Divaldo Pereira Franco, natural de Feira de Santana, BA, 81 anos de idade, dos quais mais de 60 dedicados à causa espírita e às crianças carentes da periferia de Salvador. Aos 20 anos de idade fundou o Centro Espírita Caminho da Redenção e mais tarde, em 1952, fundou, juntamente com Nilson de Souza Pereira, a Mansão do Caminho que atende cerca de 3 mil crianças, adolescentes e jovens de famílias carentes, por dia, em regime de semi-internato e externato. Educador que é, adotou mais de 600 crianças e hoje tem mais de 200 netos. Realizou mais de 11 mil conferências em mais de 2 mil cidades brasileiras e em 62 países; concedeu mais de 1.100 entrevistas de rádio e televisão, em mais de 450 emissoras; recebeu mais de 700 homenagens, de instituições culturais, sociais, religiosas, políticas e governamentais; publicou mais de 200 livros, com todos os direitos autorais doados às instituições espíritas que dirige, com a publicação de 8 milhões de exemplares, com 92 versões para 16 idiomas.

RIE – Com as dificuldades que vivemos no mundo atual, com drogas, prostituição e violência de toda sorte o senhor acredita que o mundo está progredindo?
Divaldo Pereira Franco – Vivemos um momento histórico dos mais expressivos da humanidade. A ciência e a tecnologia alçaram o ser humano às culminâncias do progresso material, nada obstante, a evolução moral não obedeceu ao mesmo parâmetro. Permanecem as injustiças sociais, os separativismos, a miséria de todo porte, as lutas bélicas, a agressividade, demonstrando que a evolução foi horizontal, no sentido do intelecto, sem a correspondente vertical para o amor, para a imortalidade e para Deus. Nada obstante, o mundo vem progredindo porque, por outro lado, nunca houve como hoje tanto devotamento nas criaturas em favor do seu próximo, da Natureza, do cumprimento dos deveres, da solidariedade… Há mais amor entre os seres humanos do que se pode perceber ou imaginar. Multiplicam-se as organizações de serviços sociais, de iluminação de consciências, enquanto, por outro lado, cientistas e tecnólogos afadigam-se no trabalho em favor da saúde, do bem-estar, da erradicação de terríveis males que sempre afligiram a sociedade, como a fome, os vícios e a promiscuidade.

RIE – O que é essa fase de grande transição, segundo o Espírito Joanna de Ângelis?
Divaldo – Segundo a benfeitora espiritual estamos vivendo o período em que o nosso planeta se transfere de mundo de provas e de expiações para mundo de regeneração, conforme nos ensina o Espiritismo. Neste período estão reencarnando Espíritos que se encontram retidos em regiões de muito sofrimento, a fim de terem a oportunidade de escolher continuar no comportamento que os assinala ou avançar no rumo da plenitude. Na primeira hipótese, os perversos e inimigos da sociedade, após a desencarnação, já não volverão à Terra, indo transitoriamente a mundos inferiores, onde resgatariam os males praticados e se renovariam pela ação do bem. Ao mesmo tempo, uma geração nova (A Gênese, capítulo XVIII, Itens 27 a 38 – 36ª Edição da FEB.) surgirá na Terra, provinda de outra dimensão, a fim de contribuir pelo progresso da humanidade, assim apressando o momento da grande transição.

RIE – Que regras podemos adotar para colaborar na melhoria do mundo que vivemos?
Divaldo – Nunca houve tanta necessidade de amor, de fraternidade, de compreensão, de bondade e compaixão como nestes dias. A dor campeia em toda parte, e ninguém existe que se encontre sem o desafio da transformação moral para melhor, talvez sob o estigma de muitas aflições. Construir o bem em toda parte, cooperando em favor da harmonia geral, evitando as dissensões e as lutas infelizes, ajudando em silêncio e divulgando os postulados do Espiritismo pelo exemplo e por todos os meios lícitos e nobres possíveis, constituem valiosos meios de contribuir em favor do mundo melhor de amanhã.

RIE – Como cultivar a paz interior num mundo tão conturbado?
Divaldo – A paz interior, aquela que vem de Jesus e que resulta dos pensamentos edificantes, das palavras iluminativas e das ações dignas, resiste a todas as agressões de fora, porque harmoniza o ser e o faz compreender as dificuldades. No silêncio da oração, na reflexão em torno dos deveres e na ação contínua da solidariedade fraternal, distende-se a paz como um perfume ou uma claridade que se irradia de um foco, eliminando as conturbações, qual um algodão que amortece uma pedrada…

RIE - Estamos vivendo a hora do testemunho coletivo e individual?
Divaldo – Realmente, estes dias são caracterizados pelos testemunhos individuais e coletivos. Enquanto o planeta estertora, adaptando as camadas tectônicas e produzindo tsunâmis, terremotos, erupções vulcânicas, secas e enchentes, tempestades devastadoras, conforme sempre houve no passado, alterando a própria estrutura, a sociedade como um todo padece injunções muito graves, como dantes nunca houve, embora as terríveis fases vividas anteriormente…Essas calamidades coletivas, às quais associamos os incêndios, os desmoronamentos, o terrorismo, as guerras, as epidemias, as revoluções e outros fenômenos destrutivos, que comovem a sociedade, têm por objetivo despertar também as consciências para a reflexão em torno da transitoriedade da vida física, do esforço que se deve empreender em favor da paz interior e da harmonia geral, constituindo motivos de provas e de expiações para os indivíduos que optam pelas ilusões e anestesia da consciência. Também alcançam as mulheres e os homens de bem, portadores de fé, de conduta irreprochável, porque a dor não apenas é instrumento de purificação, fomentadora do progresso moral, como também fenômeno natural de desgaste a que está submetida a organização física, aprimorando a moral e a espiritual do ser.

RIE – O Movimento “Você e a Paz” criado pelo senhor está na sua 10ª edição realizada em dezembro de 2007: quais as propostas desse movimento?
Divaldo – Depois de haver visitado algumas dezenas de presídios e penitenciárias, casas de detenção, falsamente denominados como reeducandários sociais, e vivido por quase cinqüenta anos em um bairro muito violento, em que 80% dos seus habitantes vivem na linha abaixo da miséria econômica e educado quase 25.000 crianças e jovens que passaram pelas nossas Escolas, senti a necessidade de fazer algo mais. Amparado pelo pensamento espírita e tomado de compaixão pelos violentos, resolvi enfrentar alguns desafios propondo o Movimento Você e a paz, na praça pública. Levamos o projeto à Egrégia Câmara de Vereadores e nobre Edil apresentou-o aos seus pares, que votaram por unanimidade para que o dia 19 de dezembro ficasse denominado como o Dia da Paz na cidade do Salvador. Conseguimos o apoio da mídia e realizamos a primeira edição. Notei, porém, que era necessário ir mais profundo no trabalho. Com amigos devotados, passamos a proferir palestras em escolas de diversos bairros, atraindo pessoas violentas, abordando o tema da paz e convidando-as para que no dia 19 de dezembro fossem à praça, a fim de participar de ação mais ampla. Logo após encorajamo-nos a visitar as praças públicas desses bairros, denominados perigosos, e fomos recebidos com carinho por grande parte da população que se dizia feliz por ouvir algo dessa natureza, comprometendo-se a participar conosco do Evento maior.

RIE – É aberto às outras denominações religiosas?
Divaldo - Em nosso projeto não condicionamos o trabalho a nenhuma doutrina religiosa, embora, no momento em que me apresento para a palestra, explique ser espírita militante, mas que o Movimento é neutro, sem nenhuma conotação política, religiosa ou de qualquer outra natureza que o desvie da sua finalidade. Nunca tivemos o menor embaraço, antes, pelo contrário, diversos traficantes de drogas abandonaram o crime, outros violentos modificaram o seu conceito sobre a existência, conforme depoimentos pessoais que nos têm feito espontaneamente. O objetivo nosso, portanto, foi sair da intenção para a ação, deixar de falar sobe a violência que estarrece, fazendo algo pela não violência que proporciona a paz, conforme somente Jesus a pode dar.

RIE – Como as pessoas podem engajar-se nessa proposta? Tem previsão da próxima edição e onde será?
Divaldo – Felizmente o Movimento Você e a paz tem sido realizado no Rio de Janeiro, tanto na capital como em cidades do interior – neste ano será na cidade de Nova Friburgo no mês de agosto –, em Santa Catarina e no interior do Estado da Bahia. Foi também lançado em Paris no ano de 2007, em Portugal (Coimbra duas vezes, Lagos) em 2005, pela primeira vez…No próximo dezembro teremos a 11ª edição na cidade do Salvador, na praça Dois de Julho, conforme vimos fazendo nos anos anteriores. Quem deseje engajar-se nessa proposta, poderá entrar em contato conosco ou com Luiz Pimenta e teremos todo o prazer de apresentar os planos e diretrizes do Movimento, a fim de que se expanda ao máximo. Nos últimos cinco anos tem cooperado conosco um dos maiores oradores sacros da Igreja Católica na Bahia, o monsenhor Gaspar Sadoc, que participa do Evento na praça pública, sensibilizando a multidão de milhares de pessoas.

RIE – Nesse momento conturbado de grande transição verificam-se diversos desvios das práticas espíritas no nosso movimento espírita. Como devem agir os dirigentes espíritas?
Divaldo – O fenômeno que ocorreu com o Cristianismo nascente, depois com o luteranismo e outras doutrinas, inclusive as filosóficas, vem sucedendo com o Espiritismo. Grande número de pessoas, imaturas umas, presunçosas outras, prepotentes mais outras, e de diversas condutas emocionais, aderem às idéias novas para servir-se e não para as servir. Ao entusiasmo inicial sucedem-se a arrogância, o egoísmo desmedido, e logo passam a modificá-las a seu bel-prazer. Promovem as lamentáveis alterações e divisionismo. Infelizmente, esse fenômeno é típico do período de transição moral planetária que estamos vivendo. O Espiritismo, porém, na sua magnífica estrutura monolítica, sobreviver-lhes-á, porque a desencarnação os arrebatará e os seus seguidores logo se extraviarão, desnorteados. Acredito que os dirigentes espíritas devem permanecer fiéis à codificação, preservando os valores doutrinários e vivenciando-os, porque os modismos passam, não atacando essas vertentes filhas da vaidade e da prosápia dos seus líderes que, não tendo quem os combata para assumir posição de vítimas, debilitam-se e desaparecem. O silêncio, nesses casos, acompanhado das ações dignas e coerentes com a Codificação constitui o melhor contributo para a preservação do Espiritismo conforme o recebemos de Allan Kardec e dos nobres missionários que vieram para dar-lhe sustentação e mantê-lo digno para as gerações do futuro.


RIE - Como os dirigentes devem se posicionar diante de uma avalanche de obras mediúnicas de conteúdo duvidoso que estão prestando um desserviço à divulgação da Doutrina Espírita?
Divaldo – O melhor antídoto ao mal é sempre o bem, assim como a luz é a libertadora da sombra. Penso que todos deveremos ter muito cuidado para não voltarmos à presunção e intolerância medievais, elaborando um novo código de obras que devem ou não ser publicadas, o que seria profundamente lamentável. Assim, divulgando as obras legítimas, aquelas que não têm conteúdo doutrinário ou têm-no deformado, ficarão à margem. É lamentável a confusão que essas obras produzem em pessoas não conhecedoras da Codificação e que se empolgam com as fantasias de que se fazem portadoras, dificultam-lhes a visão clara e real do Espiritismo. Nada obstante, os responsáveis terão que responder pelos equívocos propositais ou não de que se fizerem instrumentos.

RIE – Há um projeto de lei tramitando no Congresso Nacional para obstar a utilização das mensagens psicografadas nos tribunais. Qual é a sua opinião?
Divaldo - Embora eu desconheça o projeto referido, acredito que a missão do Espiritismo não é a de defender pessoas acusadas desta ou daquela ocorrência infeliz. Vulgarizando-se a prática, teremos um desvio total dos objetivos da Justiça, que passaria para ser analisada através de fenômenos mediúnicos, nem sempre autênticos, com graves danos para a sociedade. Quando o venerando apóstolo da mediunidade, Chico Xavier, psicografou duas mensagens narrando o que aconteceu realmente com os desencarnados, o objetivo que os Mentores mantiveram foi o de comprovar a autenticidade daqueles que as assinavam. Eram, no entanto, tão verdadeiras que, ao serem levadas ao Tribunal, foram consideradas provas da inocência dos réus. Tal ocorrência, no entanto, foi especial e única, não devendo tornar-se corriqueira…

RIE - Por favor, suas considerações finais.
Divaldo - O Espiritismo é o Cristianismo redivivo, conforme Jesus nos havia prometido (João XIV-16 e seguintes), ao referir-se ao Consolador, que rogaria ao Pai para que viesse ficar conosco. Divulgá-lo, o mais amplamente possível, vivendo-o em toda a sua grandeza, é tarefa que não podemos desconsiderar, postergando-a ou ignorando-a. Na condição de apóstolo da Era Nova, Allan Kardec deu-nos o exemplo de como comportar-se o espírita, jamais agredindo, mesmo quando agredido, trabalhando sem cessar em favor de si mesmo e do seu próximo. Assim sendo, o espírita poderá ser considerado um verdadeiro cristão.

Entrevista concedida ao site  O Clarin

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

AOS MEUS FILHOS...





Meus filhos venho falar a vocês como alguém que abandonasse a noite de Tirésias, no carro

fulgurante de Apolo, subindo aos cumes dourados e perfumados do Hélicon. Tudo é

harmonia e beleza na companhia dos numes e dos gênios, mas o pensamento de um cego,

em reabrindo os olhos nas rutilâncias da luz, é para os que ficaram, lá longe dentro da noite

onde apenas a esperança é uma estrela de luz doce e triste.

Não venho da minha casa subterrânea de São João Batista [O espírito se refere ao cemitério

de São João], como os mortos que os larápios, às vezes, fazem regressar aos tormentos da

Terra, por mal dos seus pecados. Na derradeira morada do meu corpo ficaram os meus

olhos enfermos e as minhas disposições orgânicas.

Cá estou como se houvesse sorvido um néctar de juventude no banquete dos deuses.

Entretanto, meus filhos, levanta-se entre nós um rochedo de mistério e de silêncio.

Eu sou eu. Fui o pai de vocês e vocês foram meus filhos. Agora somos irmãos.
 Nada há de mais belo do que a lei de solidariedade fraterna, delineada pelo Criador na sua glória

inacessível.  
A morte não suprimiu a minha afetividade e a ainda possuo o meu coração de homem para o qual vocês são as melhores criaturas desse mundo.

Dizem que Orfeu, quando tangia as cordas de sua lira, sensibilizava as feras que agrupavam

enternecidas para escutá-lo. As árvores vinham de longe, transportadas na sua harmonia.
 Os rios sustavam o curso nas suas correntes impetuosas, quedando-se para ouvi-lo. Havia deslumbramento na paisagem musicalizada. 
A morte, meus filhos, cantou para mim, tocando o seu alaúde. Todas as minhas convicções deixaram os seus lugares primitivos para sentir a grandeza do seu canto.

Não posso transmitir esse mistério maravilhoso através dos métodos imperfeitos de que disponho. E, se pudesse, existe agora entre nós o fantasma da dúvida.

Convidado pelo Senhor, eu também estive no banquete da vida. Não nos palácios da popularidade ou da juventude efêmera, mas no átrio pobre e triste do sofrimento onde se

conservam temporariamente os mendigos da sua casa. Minha primeira dor foi a minha primeira luz. E quando os infortúnios formaram uma teia imensa de amarguras para o meu destino, senti-me na posse do celeiro de claridades da sabedoria.  
Minhas dores eram minha prosperidade. Porém qual o cortesão de Dionísio, vi a dúvida como a espada afiadíssima

balouçando-se sobre a minha cabeça. 
Aí na Terra, entre a crença e a descrença, está sempre ela, a espada de Dâmocles. Isso é uma fatalidade.

Venho até vocês cheio de amorosa ternura e se não posso me individualizar, apresentando .me como o pai carinhoso, não podem vocês garantir a impossibilidade da minhasobrevivência.
A dúvida entre nós é como a noite. O amor, entretanto, luariza estas sombras.

Um morto, como eu, não pode esperar a certeza ou a negação dos vivos que receberem a sua mensagem para a qual há de prevalecer o argumento dubitativo.
 E nem pode exigir outra coisa quem no mundo não procederia de outra forma.

Sinto hoje, mais que nunca, a necessidade de me impessoalizar, de ser novamente o filho ignorado de dona Anica, a boa e santa velhinha, que continua sendo para mim a mais santa das mães. 
Tenho necessidade de me esquecer de mim mesmo. Todavia, antes que se cumpra este meu desejo, volto para falar a vocês paternalmente como no tempo em que destruía o fosfato do cérebro a fim de adquirir combustível para o combustível para o estômago.

-Meus filhos!... Meus filhos!... Estou vivendo... Não me vêem?... Mas olhem, olhem o meu coração como ainda está batendo por vocês!...

Aqui, meus filhos, não me perguntaram se eu havia descido gloriosamente as escadas do Petit Trianon; não fui inquirido a respeito dos meus triunfos literários e não me solicitaram informes sobre o meu fardão acadêmico. Em compensação, fui argüido acerca das causas dos humildes e dos infortunados pelos quais me bati.

Vivam pois com prudência na superfície desse mundo de futilidades e de glórias vãs.

Num dos mais delicados poemas de Wilde, as Órcades lamentara a morte de Narciso junto de sua fonte predileta, transformada numa taça de lágrimas.

-Não nos admira – suspiram elas – que tanto tenhas chorado!... Era tão lindo!...

-Era belo Narciso? – perguntou o lago.

-Quem melhor do que tu poderás sabê-lo, se nos desprezavas a todas para estender-se nas relvas da tua margem, baixando os olhos para contemplar, no diamante da tua onda, a sua formosura?...

A fonte respondeu:

-Eu adorava Narciso porque, quando me procurava com os olhos, eu via, no espelho das suas pupilas, o reflexo da minha própria beleza.

Em sua generalidade, meus filhos, os homens, quando não são Narciso, enamorados de sua própria formosura, são as fontes de Narciso.

Não venho exortar a vocês como sacerdote; conheço de sobra às fraquezas humanas.

Vivam, porém a vida do trabalho e da saúde, longe da vaidade corruptora. E, na religião da consciência retilínea, não se esqueçam de rezar.

Eu, que era um homem tão perverso e tão triste, estou aprendendo de novo a minha prece,como fazia na infância, ao pé de minha mãe, na Parnaíba.

-Venham, meus filhos!... Ajoelhemos de mãos postas... Não vêem que cheguei de tão longe?
 Fui mais feliz que o Rico e o Lázaro da parábola, que não puderam voltar...

Ajoelhemos no templo do Espírito; inclinem vocês a fronte sobre o meu coração.
 Cabem todos nos meus braços? Cabem, sim...

Vamos rezar com o pensamento em Deus, com a alma no infinito. Pai nosso... que estais no céu... santificado seja o vosso nome...

 08 de Abril de 1935, espírito do grande Humberto de Campos