terça-feira, 22 de julho de 2014

EMBURRECIMENTO NECESSÁRIO


                                                  

 

 

 

         O grande filósofo Shopenhauer dizia em uma passagem de um livro que não me recordo o nome que “Quando lemos outra pessoa pensa por nós: só repetimos o seu processo mental.” Resolvi então parar um pouco de ler.

        Fiquei um mês inteiro sem ler jornais, artigos científicos ou textos de filosofia. A revista Caros Amigos passou longe dos meus olhos. Poesias do Neruda e contos do Anton  Tchecov nem pensar.

       Não li mais a fina ironia ( já repetitiva) do ilustre Juremir Machado. Distanciei-me dos aristocráticos textos do Luiz Felipe Ponde e de outras estrelas menores que circulam e reproduzem sempre nos mesmíssimos temas que todos já estão enfarados de saber.

      A crítica em si precisa de férias para se reformatar e verificar, em visão panorâmica e retrospectiva, os seus ridículos. Nesse ponto, “ emburrecer” um pouco faz o homem entender um pouco as razões dos que costumeiramente optam pelo silêncio e pela leitura do estritamente essencial.

     Muitos amigos disseram que seria um atraso imperdoável em não se dedicar à leitura. Mas, de qualquer forma, estamos sempre em um irrecuperável atraso pois nunca conseguiremos ler nem a centésima parte dos livros, revistas e informações que diariamente são publicados no mundo.
 
 Por falar nisso, faz pouco que lançaram uma obra completa dos pensamentos do imortal José Saramago. O livro tem mais de 2 mil páginas e está guardado em um canto de meu escritório, esperando para ser lido. Acho que antes vou emprestá-lo.

  Pensar talvez seja (também) desgarrar-se um pouco da “pavonice livresca” e da verdadeira “pagagaiada de pirata” de ficar só citando autores e pensadores que a mente humana é capaz de reproduzir em uma decoreba estéril e enfadonha.

 Saber uma notícia, uma informação com um certo atraso tem uma certa mística. Muitas vezes, produz um sentimento dimensionado, um lamento duplamente lamentado pela perda de grandes personalidades que tanto contribuíram para o crescimento cultural e intelectual no Brasil.

Somente hoje soube da morte do grande escritor João Ubaldo Ribeiro e que, no dia seguinte morreria o denominado professor de espantos, Rubem Alves.

O Rubem era múltiplo. Filósofo, psicanalista, pedagogo do mais alto coturno. O João Ubaldo é um universo a ser descoberto.

A morte de ambos permitirá uma descoberta ( nem é redescoberta) da grandeza de suas obras.

Mas, que essa descoberta não se estribe na citação enfadonha de seus pensamentos sem que primeiro exista o pensar de cada um.

Pois, valendo-me do  papagaiar que o Rubem tanto condenava ( a ele pedindo desculpas):

 
Nietzsche pensava o mesmo e chegou a afirmar que, nos seus dias, os eruditos só faziam uma coisa: passar as páginas dos livros. E com isso haviam perdido a capacidade de pensar por si mesmos. “Se não estão virando as páginas de um livro eles não conseguem pensar. Sempre que se dizem pensando eles estão, na realidade, simplesmente respondendo a um estímulo, – o pensamento que leram.
 
E segue o barco da vida no vasto rio da existência!!

    

 

       

 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

NEYMARMANIA

                                                  



         A tal lesão do Neymar realmente se “encalacrou” de tal forma nas relações diárias dos seres humanos que já pode ser comparado a uma epidemia de grandes proporções.
         Soube que um amigo brigou com a namorada por ela ter afirmado que tudo não passou de um acidente provocado pelo famigerado jogador da Colômbia. Que ele teve a intenção de fazer a falta, mas não de causar uma lesão grave em nossa “ estrela maior”.
         O debate foi longo com citações de Kafka para justificar o julgamento açodado e apressado feito pelo Luciano Hulk em seu programa consagrado em tolices cotidianas. Tolice? Um assunto que envolve o maior jogador de futebol indicado pela GLOBO? O casal está separado e se o Brasil não ganhar a Copa não haverá conciliação.
         No bolicho da esquina, no auge de sua miserável condição financeira, o não menos miserável ser humano chora as dores do pobre jovem de 22 anos que ganha em um único mês aquilo que o choroso pobre não ganhará nem em cinco reencarnações. Embalado em sua dor " justificada" vai tomando um gole de cachaça.
        Segundo um psicanalista famoso que no momento não me recordo o nome: é nessas horas ( de comoção incentivada pela mídia) que o pobre aproveita os holofotes e a emoção geral para também chorar suas dores. Isso explicaria tantos exageros.
        O poder da mídia é indescritível, sendo o poder da insistência ainda maior. Insistem em causar comiseração e em tudo gestam um drama que é artificialmente alimentado. Ninguém chora ( na mesma proporção) o miserável trabalhador que morre na Fila do SUS ou por uma família que perde seu filho vítima de um assalto ou de um acidente de trânsito em uma de nossas perigosas estradas.
        O inusitado de tudo é ver alguns adolescentes não tão pobres chorando copiosa e exageradamente pela “ saída” do Neymar da Seleção Brasileira. Mandando torpedos, fotos e outras salamandras do gênero em demonstração de " profunda dor".
        Tais manifestações lembram uma reflexão do imortal escritor Honoré Balzac, quando afirmava em uma passagem da sua monumental Comédia Humana:

     “ De resto, o historiador jamais deve esquecer
que sua missão consiste em dar a cada um a sua parte: o
rico e o desgraçado são iguais perante sua pena; para ele, o
camponês tem a grandeza de suas misérias, como o rico a
pequenez de seus ridículos.


      Pobre do Neymar!! O Brasil está triste demais. Eu também!
E segue o barco da vida no vasto rio da existência.

          

quarta-feira, 28 de maio de 2014

ILUSÕES REFINADAS

                                                    
 


         Ilusões refinadas, sofisticadas, requintadas sempre venderam bem. É imenso o número de pessoas que se encanta com um charlatão vestido de terno e gravata da Armani, pregando moral e prometendo a certeza de um futuro feliz e de extremo sucesso.
        A humildade e simplicidade de Cristo ou de um Francisco de Assis não tem o mesmo poder de persuasão que uma ideologia de grife, com marca consagrada e que tenha fragrância de perfume importado.
       Foi realizada uma pesquisa na Universidade de Edimburgo, onde se constatou que a esmagadora maioria das pessoas prefere uma “ ilusão refinada” onde exista uma mistura de mármore, ouro e gente bem vestida debuxando relatos de que vivem em um mundo encantado e distante de problemas, justamente por terem apostado e seguido os ensinamentos milagrosos e  mágicos de determinado guru ou sábio.
       E quando o assunto é “credibilidade”, constatou-se ser uma grandeza diretamente proporcional com o pagamento de um valor significativo de dízimo ou contribuição. Em outras palavras: as pessoas que eram estimuladas a contribuir com uma boa quantia em dinheiro davam maior credibilidade e respeito àquela “instituição” com quem estavam lidando. Livros com títulos inusitados e exóticos foram vendidos por até R$ 2000 ( dois mil reais).
        Tendo conhecimento de tais pesquisas, alguns vendem sua crença, ideologia ou " filosofia de vida" em 20 x no cartão de crédito com direito a máquina para passar o cartão a cada 5 fileiras de bancos dentro de suas sedes.
      Comercializa-se de tudo, sendo a crença apenas uma forma de reunião do grande público.
    Com o avanço da tecnologia já existem pen drives e “nuvens”  onde são depositados arquivos de “pensadores consagrados” e de “ alto coturno” que podem, de alguma forma, orientar e salvar a vida de muitos ( curar, levar ao sucesso, alegria infinita, etc).
     Por algumas pratas o fiel ou cliente ganha uma senha para acessar esse conteúdo que é sempre atualizado pelos que entendem do assunto. É sucesso garantido.
         Os que não se atualizam ou são pobres demais, além da "condenação divida" em decorrência de seus próprios atos ( livre arbítrio de continuarem pobres) fatalmente, em curto espaço de tempo, estarão excluídos de todo e qualquer "ensinamento de salvação".
      Segundo o filósofo Polonês Miguel Sturvinski, essa é a tendência predominante na pós-pós-modernidade. Claro que existem exceções.
        Queixando-se de que o mundo “vai errado”, em um passado que ultrapassa a 100 anos, dizia o imortal poeta Gregório de Matos Guerra:
     
    Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.

O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ousadas,
Do que anda só o engenho mais profundo?

Não é fácil viver entre os insanos,
Erra quem presumir que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.

O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo, mar de enganos,
Ser louco c’os demais, que, só, sisudo.

Seguindo o conselho do poeta, não ouso opinar sobre tal assunto.
Mantenho-me mudo.

E segue o barco da vida no vasto rio da existência.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

AMIZADE DE ISOPOR


 
 

 

Dentre as inúmeras mudanças do mundo pós-pós-moderno figura aquilo que denomino de “ amizade de isopor”. É uma relação que vai além do que o tal de Zygmunt Bauman denomina de “ relações líquidas”.

No mundo virtual é aquela amizade para constar. Recebemos um “convite de amizade” de alguém, aceitamos e tudo permanece igual ao que era antes.

Sem vigor, branca demais, raquítica, insípida e inodora a “ amizade de isopor” revela um tolo prestígio de um acúmulo ( aquele que diz ter 2000 amigos) inútil e na grande maioria dos casos: mentiroso.

E lá fica o vivente, dentro de um arquivo que afirma que ele é teu “amigo”, embora esteja pouco lixando para a tua vida, teus dramas pessoais, alegrias e aquela necessidade intrínseca ao ser humano de “ convivência social”.

Em casos raros, não sem o propósito de pedir algum favor ou benefício, o “ amigo” surge sorridente e essencialmente pragmático, debuxando de forma brevíssima o seu pedido e logo retornando para o mundo da insensibilidade habitual.

 De regra impera o perscrutar daquilo que possa significar alguma vantagem, sendo que mesmo que exista a sinceridade de propósitos de alguma das partes a regra é entender que sempre existe um interesse a ser perseguido, sendo a amizade apenas um meio e nunca um fim.

E nesse campo largo, a desconfiança anda de rédeas soltas, galopando com vigor encurralando-se em jogos de cinismo, falsas cordialidades, ensinamentos da vaidade própria e deturpações várias que gestam e parem uma forma bisonha de relação.

E quando alguém, percebendo essa situação a acha ridícula, não falta um “ amigo de isopor” para te denominar de estressado, louco ou algo que o valha. Ao certo, consideram como “ evolução dos costumes” essa Sibéria que incrementamos cotidianamente.

Somos todos sábios, todos conscientes, todos inteligentes e diariamente todos possuem algo genial e inusitado para ensinar para alguém.

 O mundo virtual virou o templo da moral e da ética que ninguém ousa dizer que não possui.

E os amigos de isopor são como uma nuvem de mosquitos em um lugar distante.
 Mas, são amigos.

E segue o barco da vida no vasto rio da existência!

 

 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

AMPLIANDO A CONSCIÊNCIA DO EXISTIR



Quantas vezes elevamos nosso pensamento ao alto pedindo proteção para afastar de nós uma aflição.
O espírito acompanha o pedido, que sobe, buscando forças em tal dificuldade e, de uma forma ou de outra, nosso pedido é atendido, isto é, acontece o melhor para nós; ou a aflição desaparece ou ela permanece para evitar de cairmos em futuros erros que nos levariam a cometer novos deslizes que comprometeriam nossa vida espiritual. Mas isso só mais tarde é que iríamos perceber. E isso traz amadurecimento, leva avante.

O que convém saber aqui é que, numa invocação fervorosa, é sempre a própria pessoa que movimenta a força viva para a recepção da graça e essa força se encontra no Universo a disposição de qualquer pessoa, não importando a condição social da mesma, se rica ou pobre, princesa ou plebeia.
O importante no caso, é ter conhecimento e consciência desta força que a Criação oferece ininterruptamente ao ser humano para que ele possa movimentá-la apenas para o bem. Se assim não o fizer, colocará em risco outros setores da Criação. Esta força, sendo neutra, pode ser aplicada tanto para o bem, como para o mal. Seu teor é o homem que lhe imprime e por isso, torna-se ele responsável pelo seu uso, pela finalidade que lhe der; e isso advém de seu livre arbítrio, que o Criador lhe facultou.
Por essa razão, aqui fazendo um acréscimo, não é correto afirmar que de uma educação técnica ou meramente “ racional” vai resultar  um indivíduo insensível e com propensões à crueldade. Isso seria desconsiderar o livre arbítrio que todo o ser humano possui.
Lembremos aqui que até nas leis terrenas o uso da liberdade pessoal encontra limite em sua aplicação, ou seja, “nossa liberdade termina quando começa a do nosso próximo “. Ora, se isso acontece em nossas relações sociais, o que dizer, então, quando a relação humana é espiritual, portanto invisível !
É gratificante sabermos que podemos contar com essa imensa força que o Criador nos outorga e que percorre o Universo inteiro. Nós somos os seus administradores, ela, porem, não nos pertence.
É a nossa intuição, esse sentir profundo da alma, que a movimenta. Ela nos é dada pelo imenso Amor de Deus como instrumento para nossa ajuda e desenvolvimento. É preciso usá-la com muita responsabilidade só para o que nos é útil espiritualmente. É por ela que o homem tira os pés do chão e se sente pairar nas alturas como uma pluma, quando a emprega para o bem, pois ela é o suporte do espírito e sua escada de ascensão.

Usada conscientemente e com pureza, ela faz o miserável sentir-se rico.

É quando o homem então não aspira a mais nada, pois ele está preenchido da paz que lhe alimenta o espírito e o soergue.
Autora : Alzira Dionísio e participação de Luis Fernando Arbo


quinta-feira, 3 de abril de 2014

O CASO DO DESCASO



 

 

Num “caso” do” descaso” a notícia é unilateral, não permite sequer o contraditório e a versão da parte que é acusada. A publicação serve apenas como evidência da ignorância que pretende unicamente destruir alguém.

Tudo é precipitação, afoitismo e açodamento. A Idade Medieval ressurge com vigor e a Santa Inquisição julga sumariamente e sem qualquer possibilidade de defesa.

Acusam um político de corrupto só pelo costume de acusar, como se não existem pessoas com conduta moral irretocável e ilibada. Acusam um Petshop de ter matado um cachorro por maus tratos, como se não fosse possível ter ocorrido um simples acidente.

E a mídia mais exagerada vira um verdadeiro “ mundo das acusações levianas”.  Todos são julgados sumariamente e com um furor obtuso.

E de nada adianta requerer o direito de resposta proporcional ao agravo acumulado de danos morais ou à imagem, invocando o artigo 5º, V, da Constituição Federal, pois geralmente o sujeito que faz publicações levianas não possui um vintém ou, como se dizia na linguagem campeira: “não tem um pinto pra dar água”. Pra ele é um bom negócio ter a sua publicação conhecida no Brasil inteiro, mesmo que seja uma deslavada mentira. O crime compensa.

Ademais, uma vez lançada a acusação, qual míssil da destruição completa, não há possibilidade de reverter os impactos deletérios de sua explosão. Tal como afirmava o grande jurista Nelson Hungria, o efeito da calúnia e da difamação é como abrir um travesseiro de penas no alto de um Edifício em tempo de vento forte. Jamais serão reagrupadas todas as penas.

Certa feita, em um País não muito distante, espinafraram e literalmente destroçaram a moral de um sujeito acusando-o de ter cometido um estupro. Com o passar do tempo se constatou que tudo não passava de um grave equívoco e que o vivente era genuinamente inocente.

Quem pagou pelo dano? Quem pagará? E os que opinaram agressivamente reforçando a acusação injusta, de repente se esconderam e passaram a negar aquilo que afirmaram?

Será essa a “ plenitude de liberdade” a que a imprensa séria e correta tem direito? Será essa a liberdade de manifestação do pensamento desejado?

 Contudo, a Palavra de Deus é bem clara quando se refere a esse assunto. O Senhor Jesus disse: “não julgueis, para que não sejais julgados” Mateus 7:1 e o apóstolo Paulo, quando escrevia a carta aos Romanos, no capítulo 14, declarou que haveriam diferenças entre as pessoas, mas isto não era motivo para que um irmão julgasse o outro pelos seus próprios padrões: “Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes. O que come não despreze o que não come; e o que não come, não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu. Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio Senhor ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar” Romanos 14:2.

   Mas, talvez essa seja a nova formatação da sociedade contemporânea. Talvez não exista mais como interromper o rumo e o método utilizado por alguns para “ informar” a comunidade. Talvez seja inútil apontar as grandes injustiças que são diariamente cometidas.

Como dizia o imortal escritor Honoré Balzac: “ quando todo mundo é corcunda, o porte ereto torna-se monstruosidade”.

É de se pensar..

terça-feira, 25 de março de 2014

TEATRO CAPENGA



 


Pregam moral os atormentados pela imoralidade inconsciente e os que quase sempre se revelam os maiores canalhas.

Os que possuem uma moral sincera geralmente optam pelo silêncio e a ausência do confronto acintoso do debate inútil.

“As víboras mais peçonhentas dosam artificial e homeopaticamente o seu veneno no terreno da “ajuda” e “ solidariedade” ao próximo.

Das suas “ lições do bem” jorram fontes caudalosas da mais pura hipocrisia que produz lucros fabulosos.

Vendem a “salvação” em suaves prestações. Vendem a ilusão à vista e sem qualquer vergonha na cara.

Enganam lorpas que nasceram com o talhe perfeito para a eterna enganação.

Um moralista em destaque é geralmente um canalha que se esconde.

Ele quer “ reformar o mundo” , tornar todos mais “ felizes” , mas é capaz dos mais sórdidos métodos para destruir os que apontam o teatro capenga que representam.

Dentro da sua “santidade” manifesta-se a mais pura patifaria, capaz de invadir ( por exemplo) os arquivos de um computador no fito de, sem escrúpulos, tentar conspurcar a imagem e a honra de pessoas de bem.

Pessoas desse naipe “ faltam ao serviço” que é pago com o dinheiro público e, ao mesmo tempo, tem a audácia doentia de reclamar dos “ desperdícios públicos” dos outros.

A moral em si não tem culpa.

Moralistas iguais aos que temos em destaque, sim.

Não pode fazer um “ mal” maior os que dizem representar o “ bem” com o propósito da enganação e do cinismo.

Educar é também ensinar a desconfiar dos que querem um “ mundo melhor”.

 A história real registra a quão truculenta e despótica foi a trajetória desses caras quando comandaram o destino de milhares de seres humanos. Leia a história de Hitler e de Stálin.

Bem sintetizou esse espírito das coisas o amigo Hoelderlin quando disse: “ o que sempre fez do Estado ( e da essência do ser humano) um inferno foram justamente as tentativas de torná-lo um paraíso”.

A cada dia que passa ele tem mais razão.

 

 

 

 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

MULHER DESGRAÇADA.


 



 Que mulher desgraçada é aquela que é objeto do teu mais ardente desejo e que se deixa consumir por inteira já pensando em negociar com o domínio gigantesco que passou a ter sobre ti.
Que mulher infame!?
Que dormiu contigo e chafurdou-se na mais completa luxúria e te fez de instrumento para a realização das mais ardentes safadezas.
Mulher que te fez transcender a si mesmo e a voar em uma mágica e singular aventura.
Mulher que escreveu cartas de amor, que tirou fotos nuas, todas “marotas” para dar cordas nos já transbordantes sentimentos de amor.
Daquelas que assumiu as “rédeas” do ser apaixonado e o manteve viciado em seus carinhos embriagadores onde o hedonismo era a religião da relação.
Bela?. Tão bela que faria Ulisses novamente refazer suas peripécias com convicção de retorno mesmo diante do mar mais revolto e que certamente patrocinaria uma nova guerra de Tróia.
Todavia, bela com um toque sinistro e diabólico de perversidade em uma grandeza diretamente proporcional aos seus caprichos e predileções.
Falsa? Não. Simplesmente uma mulher destinada a ser exatamente como é. Feliz no exercício da sua arte de ser tornar inesquecível e ao mesmo tempo odiada.
Em um mundo de aparências ela cumpre o seu papel sem se preocupar com análises intelectuais, psicológicas ou sociológicas do que seja certo ou errado.
Aliás, ela é uma mulher virtuosa aos novos tempos.
Desgraçada somente para os que por algum motivo as perderam nos labirintos da vida e dos tantos desencontros de que falava Vinicius de Moraes.
Essas mulheres nasceram para ser amadas na plenitude. Não para serem disputadas por toscos ciumentos que não conseguem admitir que elas um dia foram de outro homem.
Nasceram para serem aproveitadas com o máximo de vigor possível.
Para que depois, ao menos possam ser lembradas com o carinho e a ternura de quem soube aproveitar  o privilégio de ter estado ao seu lado.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

ALÉM DO ESPETÁCULO



Diariamente convivemos com necessidades que são impostas " goela abaixo" e sem qualquer possibilidade de resistência eficaz a ponto de mudar o rumo traçado pelos "donos do mundo" como diria o ilustre Ruimundo Faoro.
É a versão mais atual daquilo que já é amiúde tecnológico; novo programa tornado imprescindível para facilitar inúmeras atividades e uma gama enorme de mercadorias que passam a ser condição imprescindível para o sujeito ser " alguém" diante daquilo que tem um "valor social" maior na hierarquia das frivolidades.
Dentro desse contexto está a tal de COPA DO MUNDO e a promessa redentora de que patrocinará um desenvolvimento sem precedentes para a "nação brasileira", com lucros garantidos para quem comercializar bonecos, bandeiras, bolas, camisetas e toda uma parafernália de bugigangas que tal evento enseja.
Desconsiderando toda sorte de problemas sociais, desigualdades e o histórico gritante de descalabros com a Saúde Pública, os investimentos feitos pelo Poder Público não se justificam e ganham uma antipatia cada vez maior.
Evidente que os contrários e os favoráveis estão encharcados dos interesses políticos ou particulares que defendem. Não existe nada puro ou cândido no terreno das disputas humanas. Em ambos os lados sempre existem os exageros e as ressalvas e obtemperações a serem feitas.
Todavia, desconsiderando isso, existem os que querem impor a ideia de que a realização da COPA DO MUNDO é um " mal necessário" e algo que um ser humano "versátil",  " pós-moderno" e " pensante" deve não só aceitar, como se engajar de corpo e alma na defesa dessa ideia.
O fato é que a opinião divergente de quem não tem o poder é algo essencialmente inútil e resulta em um gasto de energia com algo que de qualquer forma não irá mudar. As passeatas e arruaças contra a realização da Copa do mundo só fizeram é aumentar o número de seguranças e do aparelho de segurança que será usado quando da realização dos eventos.  Os novos contratados agradecem com a nova oportunidade de renda.
E um espetáculo acaba contribuindo com o espetáculo contrário, ambos sobrevivendo de forma conjugada e necessária dentro da sistemática sempre arguta do capitalismo.
Se formas diversas da mesma alienação se combatem sob as máscaras da escolha total, é porque elas estão todas identificadas com contradições reais recalcadas, conforme as necessidades do estado particular da miséria, que desmente e mantém. 
Nos dois casos, avaliando bem, existe uma imagem de unificação feliz, cercada de desolação e de pavor, no centro tranquilo da infelicidade.
 Há boatos de que os preteridos na divisão dos fabulosos lucros da vindoura Copa do Mundo estão usando os mais radicais para protestar e com isso permitir um novo patamar de negociação a ponto de satisfazer seus interesses. E tudo acaba sendo "interésses" ( dos dois lados) como afirmava o saudoso Leonel Brizola.
E como dizia o meu amigo Guy Debord: " a crítica que vai além do espetáculo deve saber esperar".
Então, vamos esperar.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

CAMPO DA ABSTRAÇÃO


                                                


Sobre os problemas da EDUCAÇÃO existem mais teses do que espécies de peixes no mar. Inclusive há quem diga (em outra tese) de que as inúmeras teses é que são o grande problema.
 O grande pensador Polonês, Miguel Sturvinski (pós-pós-pós doutor) tem em entendimento inusitado sobre as  razões do baixo rendimento na educação. E agora que deixou a barba crescer está ganhando reconhecimento no Brasil inteiro.
Ele afirma que não adianta existir professores bem pagos, escolas bem aparelhadas e bibliotecas com milhares de livros se a maioria dos alunos continuarem a usar celulares em sala de aula ou usam computadores de mão ou os tais "Ipod' ou "Ipad"  apenas para fins de relacionamento e sacanagem.
Para exemplificar aquilo que sustenta, o pensador cita casos de algumas escolas em São Paulo (Estado mais rico) onde mesmo com professores bem pagos, com toda uma parafernália de computadores e tecnologia, o rendimento prossegue abaixo do esperado pelo tal IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).
A desatenção da maioria dos alunos, a falta de compromisso com os estudos e o uso de celulares e computadores para outros fins são os motivos principais e diretos de um desempenho insuficiente.
De nada adianta um professor bem pago ou uma quantidade de computadores e tecnologias  se o aluno atende ao celular na sala de aula e está pouco lixando ser perturba ou não aos demais colegas.
Também não adianta patavina alguma um professor ganhando bem e uma escola de luxo onde os alunos colam tudo da Net e na maior parte do tempo estão conversando com " amigos" no Facebook e nas redes sociais e com uma dependência cada vez maior.
E mais: quando estão no intervalo ou popular " recreio", não se preocupam minimamente em fixar o conhecimento complexo que acabaram de ter. Ocupam-se com mensagens em celulares, musiquinhas e outras salamandras do gênero que só fazem desviar o foco que deveria ser dedicado para a fixação da matéria.
Segundo Miguel Sturvinski,  mesmo que o PAULO FREIRE ou o JEAN PIAGET estivessem vivos, não teriam muito sucesso em uma sala de aula dos tempos contemporâneos. A teoria é sempre mais bonitinha que a prática.
 Certamente fracassariam em tentar controlar o pandemônio de distúrbios e problemas que desviam o aluno de realmente pensar e verdadeiramente levar o estudo a sério.
Acho que eles iriam preferir continuar escrevendo livros a atuando no campo da abstração.
No mundo real o negócio só tende a piorar.



terça-feira, 10 de dezembro de 2013

BIOESCULHAMBAÇÃO




Agora virou moda qualquer lorpa “esculhambar” a biografia de uma pessoa famosa ou alguém que tenha tido alguma importância na história e lucrar milhões com isso. E a onda de “espinaframentos” e desmoralizações viceja cada vez maior a ponto de já termos uma Indústria fumegante e muito rentável.
Li um livro que não me recordo o nome onde afirmava que o tal Che Guevara  era um farsante capitalista e que tinha relações até com os imperialistas americanos; que Madre Tereza de Calcutá era uma comum pecadora e que fazia sua obra de caridade por interesses mesquinhos e outras salamandras do gênero.  O livro inteiro era dedicado a esbugalhar e denegrir a imagem e a história oficial dessas pessoas.
Curioso é que sempre existe o relato de alguém que viveu algo no passado e que foi amigo ou conhecido do biografado, mas que guardou segredo por 20, 30,50 anos e só depois de muito tempo resolveu dar uma estranha “entrevista bombástica” e contar algo importante que para tais escritores.
Numa das “bioesculhambações” um historiador com óculos fundo de garrafa e ar de seriedade afirma que Adolf Hitler era viado e que escolhia os melhores e mais bonitos soldados para seus deleites sexuais. O fato é que ninguém vai querer ou ousar desmentir isso, pois vai parecer quer estará defendendo o líder dos nazistas, trazendo pra si todo o estigma que isso representa.
Caluniar, difamar ou injuriar passou a ser algo muito compensador e na  pior da hipóteses o autor terá que pagar uma indenização por danos morais, gastando uma pequena parcela dos milhões que ganhou com tal ato criminoso.
E nessa toada seguem as diversas biografias que só possuem coragem de existir depois de muitos anos da morte da pessoa ou de seus familiares, onde já nem é mais possível um contraditório ou sequer uma defesa.
Tem escritores dizendo que Luis Carlos Prestes era um verdadeiro bandido e facínora; outros acabam com a boa fama de Bento Gonçalves e o mesmo fazem com tantas outras expoentes de nossa história. Todos são colocados num balaio comum da imoralidade e da degradação dos bons costumes e da moral.
Considerando que todo o ser humano tem a curiosidade de saber a “ Verdade” de algo que possa a ser considerado uma “ mentira”, basta que se jogue ao vento uma “nova versão” artificialmente criada, que tal como carne sangrando jogada em rio de piranhas, todos se sentem atraídos pela “ novíssima história” que tem pretensões de dizer a “verdade verdadeira”.
A tendência agora é escolher um ícone do passado e atirar “chumbo grosso” que a renda é garantida e milhões de leitores serão instantaneamente atraídos.
Não demora muito vem uma Biografia dizendo que Nelson Mandela era fumador de maconha e que não gostava muito de negros.
Dentro desse contexto está o livro escrito pelo ex-secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Junior, que exerceu o cargo no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o livro Assassinato de Reputações - Um Crime de Estado, ainda nem chegou às livrarias, mas já está movimentando Brasília.
O engraçado é que todos esperam muitos anos para só depois relatarem as “suas verdades”.  Virou comum alguém que participava de uma quadrilha se rebelar e escrever um livro como forma de “expurgo de sua consciência”.
E a esquizofrenia e a loucura tomam as rédeas do relato dos fatos. Quanto maior o espetáculo e o “escândalo inventado” maior o destaque dado pela mídia e maior o lucro. O espaço para a defesa é infinitamente menor que o concedido para a agressão.
Por essas e outras que desconfio de livros que pretendem contar a “ verdade” ou a “ verdadeira história”. Tem sempre algo de mais mentiroso do que se pretende "desmentir"
Ainda bem que não sou famoso e não tenho nada de celebridade.






quinta-feira, 28 de novembro de 2013

TRISTEZA VIRTUAL QUE É LINDA E BELA



A “ tristeza virtual” em alguns momentos é imensamente maior que a real.
Se no mundo virtual demonstramos nossas qualidades e alegrias, também cresce parelho o sentimento de dor quando recordamos a trajetória ou o histórico de quem não mais está entre nós.
Como é triste ver o Facebook ou o endereço virtual de quem partiu. Suas alegrias, mensagens, suas fotos com familiares e a troca de elogios com inúmeros amigos, namorados e pessoas de sua intimidade e relação.
Ficam ali plasmados os registros vivos de várias expressões faciais, destacando aquele mágico e belo sorriso que só existirá nesse lugar.
Ficam registradas todas as conquistas e o momento exato daquela alegria contagiante que é por si só irrepetível.
Ao revisitar a página de quem se foi, parece que a alma ou o espírito dessa pessoa passa a se comunicar também nesse arquivo que ficou.
Dá a nítida impressão que a pessoa falecida ficará recordando os momentos de alegria e o desencadear de acontecimentos inesquecíveis que ficarão para sempre nos corações de cada um que participou. É quase impossível acreditar que a conexão terminará.
Ali, o amor que existiu prossegue vivo. Notavelmente vivo.
Santo Agostinho, em alguma de suas veneráveis poesias, tem uma passagem que afirma:

“ A vida significa tudo
 o que ela sempre significou,
 o fio não foi cortado.
 Porque eu estaria fora
 de seus pensamentos,
 agora que estou apenas fora
 De suas vistas?

 Eu não estou longe,
 apenas estou
 do outro lado do Caminho...

 Você que aí ficou, siga em frente,
 a vida continua, linda e bela”
 como sempre foi.
De fato

O fio realmente não foi cortado, quem foi para o outro lado do caminho: permanece vivo nas boas recordações que ficaram.
E só assim, a vida continua linda e bela.